Itália terceira no quadro de medalhas; Mazzel termina Milano Cortina 2026 com quatro pódios
Chiara Mazzel sem medalha no slalom; Itália terceira no quadro em Milano Cortina 2026; ministros defendem união de Olimpíadas e Paralimpíadas.
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Itália terceira no quadro de medalhas; Mazzel termina Milano Cortina 2026 com quatro pódios
Por Otávio Marchesini, Espresso Italia — Em uma manhã marcada por acertos e cruzes, Chiara Mazzel não conquistou medalha no slalom especial da categoria de atletas com visão reduzida (vision impaired) nos Jogos Milano Cortina 2026. Na pista "Olympia delle Tofane", a azzurra cometeu um erro ao passar por uma porta e não completou a primeira descida, em prova na qual seguia a orientação da guia Fabrizio Casal.
Apesar do revés de Mazzel, a delegação italiana manteve presença no pódio: Martina Vozza, acompanhada pela guia Ylenia Sabidussi, figura em posição de medalha, ocupando o terceiro lugar provisório a 4"22 da líder, a austríaca Veronika Aigner. O episódio de hoje não apaga, contudo, a campanha notável de Mazzel em Milano Cortina 2026: a esquiadora trentina das Fiamme Gialle encerra o evento com quatro medalhas em cinco provas disputadas — ouro no supergigante e pódios em combinada, descida livre e slalom gigante.
O balanço coletivo coloca a Itália entre as nações de destaque no quadro de medalhas, terceiro lugar que traduz não apenas resultados esportivos, mas um investimento cultural e institucional no esporte adaptado. Essa visão mais ampla foi sublinhada hoje em declarações do governo.
O ministro para as Disabilità, Alessandra Locatelli, destacou o valor simbólico e social das conquistas: "Sono state medaglie bellissime, con tante emozioni regalate al Paese da atleti straordinari" — palavras que traduzem reconhecimento e orgulho pelo desempenho dos atletas paralímpicos. Locatelli aproveitou a oportunidade para reabrir o debate sobre modelos futuros de organização: perguntou-se se não seria utópico, mas também necessário, imaginar uma única grande manifestação capaz de unificar Olimpiadi e Paralimpiadi, com igualdade de tratamento, visibilidade e cerimônias compartilhadas.
Na mesma linha, o ministro dello Sport e dei Giovani, Andrea Abodi, afirmou que é possível e urgente reduzir as diferenças entre os eventos. Para Abodi, as arquibancadas cheias e o interesse público revelam que já existe um caminho cultural sendo trilhado, que precisa ser consolidado com políticas que garantam oportunidades para pessoas com deficiência por meio do esporte.
O quadro que emerge de Milano Cortina 2026 é, portanto, duplo: no plano competitivo, atletas como Mazzel e Vozza deixam marcas esportivas que entram no arquivo da memória coletiva; no plano institucional e social, crescem as vozes que pedem reformulação de práticas e cerimônias, na busca de uma igualdade substancial entre Olimpíadas e Paralimpíadas. É uma discussão que ultrapassa a contagem de medalhas e toca diretamente o papel do esporte como instrumento de inclusão e recomposição de expectativas sociais.
Enquanto a festa das pistas se assenta, fica a tarefa de transformar a visibilidade conquistada em políticas duradouras: melhores estruturas, mais financiamento, e uma narrativa pública que reconheça os atletas paralímpicos não como exceção, mas como parte integrante da história esportiva nacional.


