Malagò nega candidatura à Figc: "Avaliarei se houver indicação formal da Serie A"
Malagò nega candidatura à FIGC e aguardará indicação formal da Serie A; ministro Abodi pede 'svolta' para o futebol italiano.
RESUMO ✦
Sem tempo? A Lili IA resume para você
Malagò nega candidatura à Figc: "Avaliarei se houver indicação formal da Serie A"
Por Otávio Marchesini, Espresso Italia — O ex-presidente do CONI, Giovanni Malagò, voltou a clarificar seu posicionamento sobre a possível liderança da FIGC depois da moção de apoio recebida pela Serie A. Em entrevista ao podcast "Sette Vite" de Hoara Borselli, Malagò afirmou categoricamente que não se inscreveu nem fez qualquer passo formal para concorrer: "non mi sono candidato".
Segundo o dirigente, houve contactos informais: representantes da Lega Serie A sondaram uma eventual disponibilidade. Ele agradeceu a confiança, mas sublinhou que não pretende avançar sem uma indicação oficial por parte de uma componente do sistema futebolístico: "Quando ci sarà un’indicazione ufficiale ... farò le mie valutazioni".
O aspecto que mais chamou a atenção de Malagò foi a união demonstrada pelas 19 sociedades da Serie A. "È oggettivamente impressionante", disse ele, ressaltando o caráter histórico do fenômeno num ambiente tradicionalmente fragmentado e conflituoso. Para um observador crítico do esporte — e do que ele revela sobre estruturas de poder e culturas institucionais — ver as principais equipes convergirem em torno de uma proposta externa à dinâmica federale direta é, nas palavras do próprio Malagò, um fato que merece atenção.
O ex-dirigente elencou as razões pessoais que o levam à prudência: reputação, compromisso e impacto na vida privada e profissional. "Credibilità e affidabilità" — credibilidade e confiabilidade — são qualificações que lhe reconhecem, e que, segundo ele, são essenciais em momentos complexos. Ele também sublinhou seu papel como empresário: qualquer decisão será tomada com avaliação a 360 graus, porque assumir a presidência da FIGC significaria um compromisso enorme que mudaria sua rotina e sua empresa.
Sobre o que falta ao calcio italiano, Malagò preferiu não antecipar propostas: uma eventual candidatura terá de ser acompanhada por um programa compartilhado e por confrontos formais com as componentes. Declarar soluções prematuramente poderia parecer um posicionamento programático antes do tempo.
O ex-presidente do CONI também comentou a ausência da Itália nos Mondiali, definindo o episódio como uma ferida coletiva difícil de racionalizar: "È qualcosa di incredibile, sorprendente e doloroso". Relatou ter assistido a Itália‑Irlanda em Bérgamo como cidadão e apaixonado, sem funções institucionais, e descreveu a experiência como emocionalmente intensa.
Do ponto de vista institucional, o ministro para o Esporte e os Jovens, Abodi, foi sucinto e objetivo: "Serve una svolta". A declaração traduz a sensação de que a federação precisa de mudanças concretas — não apenas de nomes — para responder aos desafios desportivos e organizacionais que o futebol italiano enfrenta.
O episódio — a sondagem da Serie A, a declaração de Malagò e a intervenção ministerial — é sintomático de um momento de transição. Mais do que uma disputa por cargos, está em jogo a capacidade de construir consenso, oferecer um projeto programático crível e restituir ao futebol italiano uma estrutura de governança que combine autoridade, visão estratégica e legitimidade democrática.
Enquanto a formalidade de uma indicação não se concretiza, Malagò mantém a prudência de quem conhece as engrenagens do sistema e sabe que decisões apressadas podem custar caro às instituições e à paixão pública que o esporte suscita.