Reyer vence Tortona por 89-82: fisicidade e leitura tática garantem vantagem em Taliercio

Reyer vence Tortona por 89-82: Tessitori domina o garrafão e a equipe impõe fisicidade e leitura tática no Taliercio. Vitória 1-0 na série.

Reyer vence Tortona por 89-82: fisicidade e leitura tática garantem vantagem em Taliercio

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Reyer vence Tortona por 89-82: fisicidade e leitura tática garantem vantagem em Taliercio

Por Otávio Marchesini — A estreia nos playoffs sorriu à Reyer Venezia: no primeiro ato dos quartos de final a equipe venceu a Bertram Tortona por 89-82, em jogo decidido sobretudo pela maior presença física e pela clareza tática dos orogranata.

O triunfo de Veneza não se explica apenas pelo placar: foi o reflexo de uma partida interpretada com mais segurança pela Reyer, que impôs ritmo, dominou o jogo interno e controlou os momentos-chave. A assinatura dessa vitória tem nome e sobrenome — o capitão Amedeo Tessitori — que, mais do que somar pontos, ocupou espaço no garrafão com autoridade: 13 rebotes, três tocos e uma presença intimidatória sob as tabelas.

Ao redor do seu capitão, os designados de Spahija cumpriram o roteiro. Cole voltou a ser referência ofensiva com 20 pontos, enquanto Parks aportou 19 pontos e consistência defensiva. A combinação entre a solidez interior e as penetrações exteriores permitiu à Reyer desequilibrar uma Tortona que, na maior parte do tempo, não conseguiu decodificar as leituras táticas adversárias.

O jogo começou em alta rotação, como era esperado de duas equipes acostumadas a movimentar o placar com velocidade. Um primeiro quarto marcado por muitas cestas culminou com um momento de brilho individual: uma bomba de longa distância de Baldasso que deixou o marcador 22-23 ao fim da parcial. Mas, a partir do segundo quarto, Veneza elevou a intensidade física.

Os orogranata dominaram os rebotes e encontraram maior fluidez ofensiva, acumulando 29 pontos na etapa que levou o intervalo com 51-40. Tortona tentou reagir com seus homens de referência, sobretudo Vidal e Hubb, mas esbarrou na energia e na organização defensiva de uma equipe veneziana que pareceu aprender muito desde o confronto pelo campeonato uma semana antes.

O terceiro quarto trouxe um recuo momentâneo de intensidade: as porcentagens caíram, o ritmo diminuiu e o jogo perdeu parte do brilho. Foi, no entanto, a sequência de três bloqueios consecutivos de Tessitori que virou notícia e consolidou o 65-55 ao fim da parcial.

Nos últimos dez minutos, o ritmo voltou a acelerar. Veneza soube gerir a vantagem, resistindo às tentativas de reação dos visitantes. Ainda assim, no final, a bomba de Hubb fez tremer o Taliercio com 84-80. Coube a Cole — pragmático e eficiente — fechar as ações, anotando os pontos decisivos que selaram o 89-82 e o 1-0 na série.

O resultado confirma um traço que considero estrutural: a Reyer não apenas vence partidas; reafirma um projeto onde a tradição do jogo interno e a disciplina tática se sobrepõem a improvisos isolados. Na perspectiva da cidade e da torcida, esse triunfo tem um significado maior: reafirma Veneza como coletividade, num momento em que clubes do país reavaliam identidade e método.

A série agora segue para gara 2, marcada para terça-feira, novamente no Taliercio. Será um teste para a capacidade de Tortona de reinterpretar a partida e para a Reyer de transformar a vantagem em capital psicológico.