Binaghi reacende a ambição: transformar os Internazionali BNL d'Italia no quinto Slam

Binaghi propõe transformar os Internazionali BNL d'Italia no quinto Slam; obras no Foro Italico e novo torneio de grama fazem parte do plano.

Binaghi reacende a ambição: transformar os Internazionali BNL d'Italia no quinto Slam

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Binaghi reacende a ambição: transformar os Internazionali BNL d'Italia no quinto Slam

Otávio Marchesini — Em 14 de abril, foi apresentada em conferência de imprensa a 83ª edição dos Internazionali BNL d'Italia, programada, como de costume, no Foro Italico. Mais do que a confirmação do espetáculo esportivo com os melhores tenistas do circuito, o evento teve como protagonista a reafirmação de um projeto ambicioso do presidente da Federação Italiana de Tênis, Angelo Binaghi: elevar o torneio romano à categoria de um verdadeiro quinto Slam.

O tom de Binaghi não é retórico, mas estratégico. Ele traçou três pilares que, segundo sua leitura, justificariam a candidatura: o momento de excelência do tênis italiano, evidenciado pelos triunfos de Jannik Sinner e das seleções nacionais; a crescente credibilidade internacional, também inaugurada pelo papel de Andrea Gaudenzi à frente da ATP; e, finalmente, um argumento econômico que compara investimentos públicos — segundo Binaghi, inferiores aos destinados a projetos como Milano-Cortina — o que tornaria a operação vantajosa em termos de retorno social e visibilidade.

Ao centrar o debate na desigualdade de pontos entre Slams e Masters 1000, Binaghi criticou o que definiu como um "monopólio centenário": a atribuição de pontos do ranking que, em sua visão, preserva uma hierarquia que atrasa a reconfiguração do calendário mundial. O presidente da FITP pediu, assim, "paciência e passos concretos" nas negociações com o Governo, mencionando interlocuções já iniciadas com o ministro Abodi.

Mas a proposta não fica só no plano institucional. A edição deste ano vem acompanhada de um pacote de obras e melhorias no Foro Italico estimado em cerca de 160 milhões de euros. O projeto prevê recuperação de superfícies históricas, substituição de áreas asfaltadas por pavimentação natural, aumento de áreas verdes e a criação de espaços permanentes para fitness, relaxamento e estudo — com a ambição de transformar o complexo em um polo fruível ao longo de todo o ano. O Stadio dei Marmi ganhará um percurso museal dedicado ao esporte italiano, e serão realizados novos acessos internos para integrar melhor a área.

Outra novidade de calendário anunciada por Binaghi é a aquisição do ATP 250 de Bruxelas — cujo traslado para a Itália é previsto a partir de 2028 — e a criação do primeiro torneio profissional sobre grama em solo italiano. Programado para a segunda semana de junho, provavelmente no norte do país por questões climáticas, o evento abriria uma nova janela preparatória para a temporada de Wimbledon e alteraria, ainda que modestamente, o mapa do circuito europeu.

O presidente também informou que, em 4 de maio, as taças da Davis Cup e da Billie Jean King Cup serão levadas a uma cerimônia no Quirinale, onde as seleções campeãs serão recebidas pelo Presidente da República, Sergio Mattarella — um gesto simbólico que reforça a conexão entre identidade nacional e sucesso esportivo.

Para quem observa com perspectiva histórica, a ambição de Binaghi tem ecos claros: trata-se não apenas de mudar um status técnico, mas de disputar um lugar simbólico na geografia do tênis mundial. O último campeão masculino italiano em Roma foi Adriano Panatta, em 1976; Binaghi confia que um triunfo masculino em 2026 encerraria um hiato de meio século. Com o ciclo recente de conquistas, a tese não é mera fantasia, mas um match point a exigir coordenação política, investimento público e uma visão de longo prazo.

O desafio é complexo — envolve calendário internacional, interesses econômicos e memória coletiva — e Binaghi, ao relançar a ideia do quinto Slam, propõe que Roma deixe de ser apenas cenário e passe a disputar um papel institucional no tênis mundial. Resta saber se o Governo e as instâncias internacionais aceitarão servir o ace que pode definir esse jogo.