Grande Itália em Paris: Cobolli, Berrettini e Arnaldi garantem os oitavos no Roland Garros

Cobolli, Berrettini e Arnaldi levam a Itália aos oitavos do Roland Garros; trio italiano marca presença na segunda semana em Paris.

Grande Itália em Paris: Cobolli, Berrettini e Arnaldi garantem os oitavos no Roland Garros

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Grande Itália em Paris: Cobolli, Berrettini e Arnaldi garantem os oitavos no Roland Garros

Por Otávio Marchesini, Espresso Italia — Em uma rodada que confirma a resiliência e a profundidade do tênis italiano, três jogadores da Itália conquistaram vaga nos oitavos de final do Roland Garros. Apesar da ausência de figuras como Sinner e da eliminação precoce de Musetti e Darderi, o país segue presente na segunda semana de Paris com performances que misturam técnica, fôlego e temperamento.

A presença de três azzurri entre os 16 melhores do torneio repete um feito que não acontecia desde 2023, quando Sinner, Musetti e Sonego chegaram à mesma etapa. Mais do que estatística, trata-se de um indicador da estrutura formativa e da capacidade de adaptação dos jogadores italianos a quadras de Grand Slam.

Em uma sessão diurna no Philippe Chatrier, Flavio Cobolli, 10ª cabeça de chave, ofereceu uma atuação dominante contra o norte-americano Learner Tien. O romano venceu com autoridade por 6-2, 6-2, 6-3 em 1h46, superando o resultado do ano passado e garantindo sua primeira passagem pela segunda semana em Paris. Em suas palavras na conferência, Cobolli ressaltou o papel das experiências de equipe — “as partidas de Copa Davis me ajudaram a lidar com a pressão em grandes estádios” — e apontou para a possibilidade que se abre com a eliminação de favoritos: “sonhar não é errado”. Nas oitavas, ele terá pela frente Zachary Svajda, jovem norte-americano que já havia sido surpresa no torneio.

Se Cobolli brilhou em sets retos, Matteo Berrettini protagonizou um confronto de desgaste e nervos. No Court Simonne-Mathieu, Berrettini venceu Francisco Comesana em uma maratona de cinco horas e oito minutos: 7-6(3), 5-7, 6-7(4), 6-4, 7-6(10). Foi a primeira vitória de Berrettini em um quinto set desde o US Open de 2022, e uma demonstração de resistência física e clareza estratégica. O romano sublinhou o mérito do adversário — “ele errou talvez duas bolas em cinco horas” — e reconheceu a necessidade de recuperação antes do próximo duelo, agora contra Juan Manuel Cerundolo, que também saiu vitorioso de uma batalha monumental.

Completa o trio Matteo Arnaldi, que em outra peleja longa sobre o Campo 14 superou Collignon e carimbou presença na segunda semana. Arnaldi soma-se aos companheiros não apenas como um resultado individual, mas como parte de um movimento coletivo que evidencia como o tênis italiano se renova e se projeta em diferentes superfícies e contextos.

Do ponto de vista histórico e cultural, esses avanços reiteram como o esporte italiano alterna fases de personalidades dominantes com momentos de pluralidade: quando um nome falta, outros emergem. A consolidação de três representantes nos oitavos do Roland Garros é também um testemunho das rotas de formação, do investimento em competições juvenis e da capacidade do circuito nacional de alimentar talentos prontos para enfrentar a exigência dos Slams.

Na próxima fase, a atenção se volta para a gestão física dos atletas e para a narrativa coletiva que se constrói quando a Itália se vê novamente como protagonista em Paris. Não se trata apenas de gols ou games vencidos; trata-se de memória esportiva, de cidades que se reconhecem em seus representantes, e de um tênis que hoje carrega mais do que pontos: carrega identidades.