Musetti avança nos US Open; Sonego cai em duelo épico contra Zverev
Musetti vence Fery e avança; Sonego perde para Zverev em duelo de cinco sets nos US Open. Passaro começa bem e vê reação de de Jong.
RESUMO ✦
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Musetti avança nos US Open; Sonego cai em duelo épico contra Zverev
Em uma jornada que espelha a natureza multifacetada do tênis contemporâneo — mistura de resistência física, gestão de carreira e significados identitários — os italianos viveram capítulos distintos na primeira rodada dos US Open. De um lado, Lorenzo Musetti consolidou um retorno esperado; do outro, Lorenzo Sonego ofereceu uma das performances mais combativas do início do torneio, sucumbindo apenas no fim de um duelo de quase cinco horas.
Lorenzo Musetti, natural de Carrara, deixou claro que o processo de recuperação e estabilização física que marcou sua temporada encontra sinais de maturidade. No seu primeiro Grand Slam desde os Australian Open, o carrarino destacou-se pela objetividade: venceu o britânico Arthur Fery por 6-3, 6-3, 7-5 em 2 horas e 9 minutos, controlando a partida desde o começo e administrando as tentativas de reação do adversário.
Após o jogo, Musetti comentou com satisfação o desempenho: era sua primeira partida depois da Austrália, e a sensação de estar competitivo tão cedo foi motivo de alívio. Ele lembrou também dos meses seguintes a Melbourne, marcados por lesões e frustrações, e sublinhou a importância da paciência na recuperação. Esta vitória representa o 20º triunfo da temporada para o toscano, que agora terá pela frente o australiano Dane Sweeny na segunda rodada.
Em contraste, Lorenzo Sonego protagonizou uma narrativa de pura resistência. Frente ao alemão Alexander Zverev, cabeça de chave número 1, o torinese empurrou o confronto para quase cinco horas de tensão: 6-4, 3-6, 6-7(9), 7-5, 6-4 a favor de Zverev, em 4h55min. Os terceiro, quarto e quinto sets excederam uma hora cada, exibindo variações de ritmo, alternância de domínio e a capacidade de Sonego de erguer-se sistematicamente diante de um rival de altíssimo nível.
A luta de Sonego — mesmo na derrota — reitera algo que transcende placares: o tênis, especialmente em cenários como o Arthur Ashe Stadium, é palco de construção de memória coletiva. Sua performance, marcada por quebras decisivas, defesas de serviço consistentes e episódios de elevado nível técnico, o coloca novamente no centro do debate sobre a longevidade e o papel dos jogadores italianos nos Grand Slams. Zverev, que foi finalista em Flushing Meadows em 2020, seguirá no torneio e agora encara o francês Quentin Halys.
Nem só de partidas longas se fez a manhã italiana em Nova York. Francesco Passaro iniciou bem sua campanha ao conquistar o primeiro set sobre o neerlandês Jesper de Jong por 6-2, impondo ritmo e recuperando quebras. No segundo set, entretanto, de Jong reagiu e igualou com outro 6-2. O desfecho dessa partida e o seguimento da trajetória de Passaro ainda demandam atenção, mas o início vigoroso mostra a diversidade de trajetórias e idades que o tênis italiano oferece.
Se o resultado consolida trajetórias distintas — a retomada cautelosa e esperançosa de Musetti, a resistência quase heroica de Sonego e a alternância competitiva de Passaro — ele também aponta para a complexidade estrutural do esporte: gestão de lesões, calendário extenuante e a necessidade de construção de rotas sustentáveis para talentos que transitam entre expectativas pessoais e coletivas.
Nos próximos dias, a atenção seguirá para os duelos de segunda rodada, onde a combinação entre forma física, estratégia e experiência definirá quem poderá sonhar mais alto em Flushing Meadows.

