Musetti descreve colapso nos US Open: “Me senti como Sinner em Paris”
Musetti explica colapso físico nos US Open comparando-se a Sinner: temperaturas, esgotamento e risco de queda na top 20 após derrota para Sweeny.
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Musetti descreve colapso nos US Open: “Me senti como Sinner em Paris”
Lorenzo Musetti tentou dar sentido ao que chamou de um colapso físico que o eliminou precocemente dos US Open. Favorito no confronto com o australiano Dane Sweeny (nº 123 do mundo), Musetti venceu o primeiro set por 6-3, mas desabou nos três seguintes, perdendo por 6-1, 6-2 e 6-2 — um revés consumado em 2h36 de partida.
O relato do tenista carrarese tem tom clínico e comparativo: “É uma situação, na minha opinião, semelhante ao que aconteceu com Jannik Sinner em Paris”. A comparação não é apenas retórica. Musetti quis situar o episódio dentro de um padrão já observado em alto nível, quando um atleta ultrapassa um limiar físico e mental e deixa de disputar pontos em condições regulares de jogo. “Nos últimos três sets de hoje é difícil falar de tênis. Uma vez que se cruza essa barreira, é complicado voltar à situação anterior”, disse.
Houve ainda tentativas de manejo médico durante a partida: um “toilet break” após o segundo set e um “medical time-out” no terceiro, quando Sweeny consolidou a vantagem com um duplo break e abriu 3-0. Musetti se mostrou cansado, esgotado e sem recursos para acompanhar o ritmo de um adversário que, em dia inspirado, passou a ditar o tempo do encontro e a executar golpes de alto risco com sucesso.
O episódio marca a primeira vez na carreira em que Musetti se vê incapaz de reagir diante de um mal-estar tão pronunciado. “Não houve melhora desde o início do mal-estar; talvez eu até tenha piorado”, relatou. Ele afirmou ter tentado todas as medidas médicas e físicas disponíveis durante o jogo, sem sucesso.
Quanto às causas, o tenista apontou um fator ambiental: as variações bruscas de temperatura nas áreas de aquecimento e atendimento — ginásio, fisioterapia e espaços para jogadores — que, segundo ele, estariam muito frios. “Este ano não temos a possibilidade de nos aquecer fisicamente do lado de fora e de aclimatar. O choque térmico pode ter sido importante e contribuído”, explicou Musetti, levantando uma questão logística que extrapola o desempenho individual e toca nas condições organizacionais dos torneios.
Além da eliminação precoce, a derrota pode ter consequências imediatas no ranking: Musetti arrisca perder sua permanência entre os 20 melhores, já que no ano passado alcançou as quartas de final do mesmo Slam e, portanto, defendia pontos importantes. O tenista de Carrara desabafou sobre a frustração acumulada: “Sinto que não mereço tudo isso que está acontecendo, principalmente pelos esforços que tenho feito para retornar, pelos sacrifícios — perdi dois Slams este ano. Estou cansado de me retirar, cansado dessas coisas. Este ano tem sido quase uma Odisseia, mas é preciso aceitar e seguir em frente.”
O caso de Musetti é, em perspectiva, sintomático de debates maiores no tênis contemporâneo: até que ponto as demandas competitivas e as condições de jogo pressionam os limites do corpo? E como as organizações podem mitigar riscos relacionados ao ambiente e à recuperação dos atletas? As palavras do jogador convidam a uma reflexão que ultrapassa um único resultado e toca na arquitetura do esporte moderno — onde gestos individuais ressoam como indicadores de estruturas maiores.

