Ressurgimento americano no US Open: já são 7 nas oitavas e há chance de chegar a 14
Ressurgimento americano no US Open: já são 7 nas oitavas entre homens e mulheres, com possibilidade de dobrar o contingente em Flushing Meadows.
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Ressurgimento americano no US Open: já são 7 nas oitavas e há chance de chegar a 14
Por Otávio Marchesini — Em um torneio que historicamente espelha a identidade cultural de Nova York e a expectativa nacional, o US Open reapresenta, neste ano, sinais de um movimento de recuperação para o tênis dos Estados Unidos. Com a ausência do número um do mundo e com Carlos Alcaraz ainda em processo de retorno após a séria lesão no pulso, parece haver uma janela de oportunidade para que um jogador americano reedite o feito que não ocorre desde Andy Roddick, em 2003.
Na madrugada italiana, a vitória de Ben Shelton sobre o canadense Denis Shapovalov (7-6, 6-7, 6-3, 6-4) fechou um quadro positivo que, somado ao desempenho feminino, já coloca sete atletas dos Estados Unidos nas oitavas de final: quatro no masculino e três no feminino. No masculino, além de Shelton, garantiram vaga Tommy Paul, Alex Michelsen e Frances Tiafoe. Paul superou Bublik em uma maratona de cinco sets (6-4, 3-6, 6-7, 6-1, 6-3) e agora aguarda o confronto com Carlos Alcaraz; Michelsen venceu o espanhol Merida por 7-6, 6-4, 6-3 e encontrará Thomas Etcheverry; Tiafoe eliminou o monegasco Valentin Vacherot por 6-4, 6-2, 6-4 e tem pela frente Daniil Medvedev.
O potencial de ampliação desse contingente é real: nesta fase podem assegurar vaga nos oitavos ainda Taylor Fritz — se derrotar o argentino Francisco Cerúndolo —, Lerner Tien, que encara o tcheco Jakub Mensik, e Michael Zheng, diante do francês Arthur Gea. Se confirmados, esses resultados fariam com que a presença americana quase dobrasse — daí a hipótese de saltar de sete para quatorze jogadores entre oitavas masculinas e femininas.
No lado feminino, a representação dos Estados Unidos continua sólida: Taylor Townsend já está nas oitavas e terá pela frente a cabeça de chave número 1, Aryna Sabalenka; Jessica Pegula enfrenta a romena Sorana Cirstea — esta última autora da vitória sobre a italiana Jasmine Paolini —; e Emma Navarro mede forças com Anna Kalinskaya por um lugar nos quartos. Caso avancem ainda ao terceiro turno com sucesso, nomes como Coco Gauff, Madison Keys, Anna Anisimova e Iva Jovic também podem ampliar a presença americana.
O panorama feminino, contudo, não é exatamente novidade: após o ciclo das irmãs Williams, os Estados Unidos seguiram produzindo campeãs em Flushing Meadows — exemplos recentes são Sloane Stephens (2017) e Coco Gauff (2023). No masculino, a espera é mais longa e carrega um peso simbólico: reeditar um título que remonta a duas décadas significaria mais do que uma conquista esportiva; seria um sinal de reconexão entre as estruturas de formação e a elite global.
Como analista atento às tramas que atravessam o esporte, interpreto essa fase do US Open como um ponto de inflexão potencial. O sucesso definitivo dependerá tanto de resultados individuais nas quadras de Flushing Meadows quanto de políticas e investimentos que sustentem talentos no longo prazo. Hoje, porém, a narrativa é clara: os americanos reaparecem — e, entre expectativas e méritos, clamam pela confirmação de um ressurgimento que faz sentido para um país que sempre viu no tênis uma peça importante de sua imagem internacional.

