Alarme controlado na Estação Espacial Internacional após vazamento de ar no setor russo

Alarme controlado na ISS após vazamento de ar no módulo russo Zvezda; tripulação abrigada na Dragon e reparos com selante Hermetall-1.

Alarme controlado na Estação Espacial Internacional após vazamento de ar no setor russo

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Alarme controlado na Estação Espacial Internacional após vazamento de ar no setor russo

Uma operação de emergência que durou menos de duas horas mobilizou hoje a tripulação da Estação Espacial Internacional (ISS) e as agências responsáveis, após a detecção de um novo episódio de vazamento de ar na seção russa da plataforma orbital. A movimentação, conduzida com cautela, transformou-se em um teste de coordenação entre NASA e Roscosmos, que gerenciam conjuntamente o complexo orbital.

Segundo a porta-voz da NASA, Bethany Stevens, o problema estava concentrado no túnel de transferência do módulo de serviço Zvezda, conhecido internamente como PrK, local onde já vinham sendo observadas trincas e tentativas de reparo anteriores. Diante de novas perdas de pressão, Roscosmos decidiu executar hoje uma intervenção mais ampla. Em caráter preventivo, a NASA solicitou que os quatro membros da Crew-12 e o astronauta Chris Williams se deslocassem para a cápsula Dragon acoplada à estação, preparando-se para uma possível evacuação.

Após a inspeção, a agência russa informou ter identificado dois potenciais pontos de fuga. Em um deles foi aplicado um composto selante bicomponente denominado 'Hermetall-1' e os trabalhos foram iniciados também no segundo ponto, na parte cônica da câmera de transição. Com pelo menos um dos vazamentos selado, o alerta foi rebaixado e a tripulação retornou às operações habituais a bordo.

A tensão, ainda que temporária, expôs novamente as fricções operacionais e as vulnerabilidades estruturais do segmento russo da ISS. Em tom conciliador, de Moscou veio a ressalva de que não houve risco imediato para a segurança da tripulação, e a reparação foi suspensa para monitoramento. A NASA confirmou, por sua vez, a ordem de retorno às atividades no laboratório orbital.

A Crew-12 chegou à ISS em 13 de fevereiro. Integram-na os americanos Jessica Meir, Jack Hathaway e Sophie Adenot, além do russo Andrey Fedyaev; compartilham a estação também o americano Williams e os russos Sergey Kud-Sverchkov e Sergey Mikayev. A coordenação entre equipes multinacionais permaneceu, como sempre, central para a mitigação do incidente.

O episódio relembra que a ISS é um mega-laboratório em órbita terrestre a cerca de 400 km de altitude, deslocando-se a aproximadamente 28.000 km/h e completando uma volta ao redor da Terra a cada 90 minutos. Desde o lançamento do primeiro elemento, o módulo Zarya, em novembro de 1998, o complexo cresceu como um mosaico técnico e diplomático, sujeito a tensões e alinhamentos políticos que se refletem também em desafios de manutenção.

Do ponto de vista estratégico, o incidente funciona como um movimento no tabuleiro: não se trata apenas de consertar um furo, mas de preservar os alicerces frágeis da diplomacia espacial e garantir a continuidade de missões futuras. A pronta resposta das equipes, apesar das discrepâncias pontuais, demonstra a resiliência das rotinas operacionais — e também a necessidade de investimentos sustentados na manutenção estrutural do módulo Zvezda.

Marco Severini - Espresso Italia