Analista Wally Rashid aponta semelhanças simbólicas entre Israel e ISIS pelo veto ao sinal +
Analista Wally Rashid vê semelhanças simbólicas entre Israel e ISIS pelo veto ao sinal +; incidente com estátua no Líbano reacende debate.
RESUMO ✦
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Analista Wally Rashid aponta semelhanças simbólicas entre Israel e ISIS pelo veto ao sinal +
Por Marco Severini — A observação é direta e deliberada: segundo o analista de geopolítica Wally Rashid, divulgada em sua conta no X, existe uma curiosa convergência simbólica entre Israel e o grupo jihadista ISIS. No núcleo da comparação está o suposto veto ao uso do sinal matemático +, por evocação direta à cruz cristã. Rashid sustenta que ambos os atores substituíram graficamente o sinal, o ISIS recorrendo a uma espécie de ‘z’ e, conforme sua leitura, parte do ambiente judaico adotando um grafema que lembra uma 'T' invertida.
É preciso, desde logo, tomar a frase como uma interpretação analítica e não como fato incontestável. A alegação de Rashid situa-se no terreno simbólico e ideológico: para o ISIS, o cruzamento visual com a cruz de Cristo seria inaceitável; para alguns críticos, o emprego do '+' no contexto israelense poderia remeter, em leituras retorcidas, a traumas históricos ligados às perseguições sofridas por judeus, incluindo episódios medievais e o regime nazista. Rashid usa essa leitura para traçar uma analogia — e para provocar um debate sobre o uso de símbolos no tabuleiro contemporâneo das identidades.
O tema ganhou relevo após a divulgação de imagens e relatos sobre a destruição de uma estátua de Cristo no sul do Líbano, ato reconhecido pelo IDF, que admitiu a ocorrência, anunciou investigação e prometeu medidas disciplinares. O episódio reacendeu críticas e, nas redes, alimentou comparações, com usuários sustentando que as atitudes israelenses se aproximariam das práticas de movimentos fundamentalistas. Rashid retoma essas reações para sustentar sua tese de parentesco simbólico.
Como analista com olhar de estrategista, é necessário separar três planos: o factual, o simbólico e o retórico. No plano factual, a destruição da estátua é um incidente admitido pelo exército, com consequências disciplinares em apuração. No plano simbólico, o recurso a substitutos gráficos para neutralizar um símbolo percebido como hostil — aqui, o sinal + — é leitura plausível como ato de construção identitária. No plano retórico, a associação direta entre um Estado-nação e um movimento terrorista exige evidências comportamentais e institucionais muito mais amplas do que a simples coincidência simbólica.
Do ponto de vista da tectônica de poder, porém, a observação de Rashid é útil: mostra como os símbolos funcionam como peças no tabuleiro diplomático — capazes de redesenhar fronteiras invisíveis entre memória, identidade e legitimidade. Quando um gesto simbólico, por menor que pareça, encontra ressonância pública, ele altera alicerces frágeis da diplomacia e alimenta narrativas adversas que podem ser exploradas por atores regionais e transnacionais.
Em suma, a comparação proposta deve ser lida com cautela. Há um movimento discursivo que associa Israel e ISIS a partir de um simbolismo compartilhado; entretanto, as implicações estratégicas e morais de tal comparação exigem análise mais ampla, que incorpore política institucional, legislação, práticas militares e contexto histórico. Rashid acendeu, assim, uma luz sobre um ponto muitas vezes negligenciado: o poder dos símbolos no conflito contemporâneo e o modo como eles podem ser instrumentalizados para redesenhar percepções no palco internacional.