Anastasiia Berezovska: a suspeita do atentado em Mônaco que fugiu travestida
Suspeita Anastasiia Berezovska, 39, é procurada via Interpol após atentado com mochila-bomba em Mônaco; ela teria fugido travestida em direção à Itália.
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Anastasiia Berezovska: a suspeita do atentado em Mônaco que fugiu travestida
Por Marco Severini — Em um movimento que altera peças no tabuleiro diplomático europeu, as autoridades identificaram como principal suspeita do ataque com pacote-bomba ocorrido em Mônaco a cidadã ucraniana de 39 anos Anastasiia Berezovska. O episódio deixou gravemente ferido o empresário e oligarca de origem ucraniana Vadim Ermolaev, além de sua companheira, Anna Nasobina, em condição crítica, e um jovem de 13 anos que também sofreu ferimentos.
Fonte oficial da Interpol emitiu uma Red Notice contra Berezovska, cujo retrato-robot e ficha descrevem cabelos castanhos e um tatuagem — possivelmente representando um serpente — no braço direito, estendendo-se do ombro ao cotovelo. Um mandado de prisão internacional foi expedido, enquanto as investigações de polícia local e troca de informações com parceiros exteriores continuam em ritmo acelerado.
Segundo relatório interno da polícia do Principado, a suspeita teria se travestido de homem em pelo menos duas ocasiões, durante ações de reconhecimento prévias ao atentado. Nos dias 26 e 27 de junho, a mulher teria realizado diversos sopralluoghi na área da Place des Moulins, adotando aparência masculina para reduzir a visibilidade e assegurar o sucesso do plano. Em 28 de junho realizou novo reconhecimento, sem disfarce.
Na noite do ataque, o panorama reconstruído pelas autoridades aponta que a mulher, após identificar uma família ucraniana pouco antes das 21h, seguiu e precedeu o grupo até a entrada de seu prédio. Em seguida, teria deixado um mochila-bomba sobre os três degraus da escadaria do edifício, distanciando-se e sentando-se em um banco da Place des Moulins. Observou a entrada das vítimas e, quando a ocasião foi considerada favorável, acionou o dispositivo por meio de um telecomando. O primeiro a entrar no prédio foi o jovem de 13 anos, posteriormente ferido pela explosão.
As apurações indicam que o artefato foi colocado a partir de uma sacola de compras e detonada à distância. Fontes investigativas comunicaram que a suspeita teria, ao término do atentado, fugido de carro — um veículo alugado na Alemanha — seguindo em direção à Itália, atravessando o posto de fronteira de Ventimiglia e, sem paradas registradas, adentrando na Suíça.
As autoridades monegascas confirmaram, ainda, a detenção de dois homens que se encontram sob custódia preventiva no Principado. Contudo, até o presente momento não consta nos autos evidência de participação ativa destes indivíduos no ato. A investigação prossegue visando estabelecer vínculos, motivações e eventuais redes de apoio.
Do ponto de vista estratégico, o atentado em pleno coração de Monte Carlo simboliza um deslocamento das tensões para espaços urbanos de elite — um movimento que redesenha, ainda que de forma invisível, fronteiras de risco e influência. A rapidez na emissão de um mandado internacional e a coordenação transfronteiriça ilustram os alicerces frágeis, porém funcionais, da diplomacia de segurança europeia quando confrontada com ataques que cruzam jurisdições.
Enquanto as autoridades europeias ampliam cooperação e inteligência para localizar Anastasiia Berezovska e esclarecer responsabilidades, o episódio impõe uma reflexão sobre as vulnerabilidades em áreas de alta densidade diplomática e sobre o cuidado necessário na preservação da ordem pública — peças fundamentais na arquitetura da estabilidade internacional.
Continuaremos a acompanhar o desenrolar das investigações e a informar sobre novas diligências, prisioneiros e eventuais confirmações oficiais das rotas de fuga e dos motivos por trás do atentado.