Ataque russo a Kiev com centenas de drones e dezenas de mísseis deixa ao menos 24 mortos
Ataque russo a Kiev com 675 drones e 56 mísseis causa ao menos 24 mortos; buscas seguem em Darnytskyi enquanto trocas de prisioneiros prosseguem.
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Ataque russo a Kiev com centenas de drones e dezenas de mísseis deixa ao menos 24 mortos
Por Marco Severini — A madrugada entre quarta e quinta-feira, 14 de maio, marcou um dos episódios mais intensos dos últimos meses no conflito entre Rússia e Ucrânia: um bombardeio que, segundo Kiev, mobilizou centenas de veículos não tripulados e dezenas de mísseis sobre a capital ucraniana. Ao menos 24 mortos, entre eles três crianças, e 47 feridos foram oficialmente contabilizados até o início das investigações de busca e salvamento em Darnytskyi, onde equipes escavam sem trégua sob as maceiras das construções derrubadas.
De acordo com as forças militares ucranianas, as forças de Moscou empregaram cerca de 675 drones de ataque e 56 mísseis, com impacto focado em infraestruturas e alvos civis: edifícios residenciais, escolas e clínicas foram danificados ou destruídos. O presidente Volodymyr Zelensky afirmou que um quarteirão inteiro foi “raso ao chão” e decretou luto nacional, enquanto as operações de resgate prosseguem e o balanço de vítimas pode aumentar.
Na retórica e na prática do conflito, o episódio representa um movimento severo no tabuleiro: interrompe, ao menos por ora, o estreito espaço de alívio criado pela trégua de três dias anunciada por Donald Trump na semana anterior. A escalada também ocorre paralelamente à sequência de libertações de detentos de guerra: há uma semana, Rússia e Ucrânia haviam trocado 205 prisioneiros cada — um intercâmbio que Moscou destacou em comunicado, dizendo que soldados russos agora estariam em território bielorrusso a receber cuidados psicológicos e médicos. Zelensky ressaltou que a maioria dos retornados havia sido detida desde 2022; o precedente imediato desse mecanismo remonta a 24 de abril, quando 193 prisioneiros de cada lado foram libertados.
Do lado russo, a narrativa tensiona ainda mais a complexidade da noite. A defesa aérea russa declarou ter interceptado e destruído 355 drones ucranianos. Autoridades russas informaram também de pelo menos três civis mortos e doze feridos, incluindo crianças, na região de Ryazan — a cerca de 200 km a sudeste de Moscou —, onde uma refinaria teria sido atingida.
Em termos estratégicos, trata-se de um episódio que combina a multiplicidade das plataformas aéreas modernas com a intenção de pressionar não apenas pontos militares, mas os alicerces da resistência civil e logística do adversário. A escolha de alvos urbanos e de serviços essenciais revela um desenho de poder que visa criar efeitos cumulativos — desgaste de infraestruturas, deslocamento de populações e erosão da normalidade social — enquanto as negociações e os intercâmbios humanitários seguem como peças separadas no mesmo tabuleiro.
Enquanto as equipes de salvamento persistem nas escavações em Darnytskyi, a comunidade internacional observa os movimentos com preocupação: o choque imediato das explosões e a destruição material somam-se à tectônica mais ampla das relações entre Moscou e Kiev, onde cada operação militar reconfigura, ainda que imperceptivelmente, os limites e possibilidades da diplomacia futura.
Os números e as alegações sobre interceptações e danos ainda serão verificados de modo independente por observadores e correspondentes locais. A combinação de ataques em larga escala, reações em território russo e as contínuas trocas de prisioneiros demonstra que a guerra mantém seus múltiplos frontes — diplomáticos, militares e humanitários — todos disputando influência e narrativa no palco internacional.