Massivo ataque russo a Kiev com uso do míssil Oreshnik causa mortos e amplia tensão
Ataque massivo russo a Kiev com mísseis Oreshnik deixa 4 mortos e 60 feridos; escolas atingidas e alerta aéreo em toda a Ucrânia.
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Massivo ataque russo a Kiev com uso do míssil Oreshnik causa mortos e amplia tensão
Durante a noite, Kiev foi alvo de uma intensa e coordenada campanha de bombardeios russos que empregou dezenas de mísseis balísticos, mísseis de cruzeiro e enxames de drones. O ataque — caracterizado pelo Exército ucraniano como massivo — deixou pelo menos 4 mortos e cerca de 60 feridos, segundo as autoridades locais.
O prefeito da capital, Vitali Klitschko, informou que 13 feridos foram hospitalizados e três permanecem em estado grave. Jornalistas da AFP presentes em Kiev relataram várias ondas de explosões que abalaram edifícios e rastros luminosos cruzando o céu noturno. No centro urbano, tiros de metralhadora foram ouvidos — aparentemente contra drones em voo — enquanto sirenes e o pânico da população dominavam as ruas.
Poucas horas antes das incursões, o presidente Volodymyr Zelensky e a embaixada dos Estados Unidos em Kiev haviam alertado para a possibilidade de um ataque em larga escala, incluindo o emprego do novo míssil russo Oreshnik. Autoridades municipais apontaram que uma escola no distrito de Shevchenkivsky foi atingida, e outro impacto próximo a um estabelecimento escolar bloqueou com escombros a entrada de um abrigo onde se encontravam civis.
A defesa aérea foi acionada em todo o país e o alerta se estendeu por toda a Ucrânia. O Exército ucraniano descreveu a ofensiva como composta por “mísseis de diversos tipos e drones”. No centro do território, bombardeios adicionais provocaram, segundo autoridades locais, pelo menos sete feridos na região de Dnipropetrovsk e onze na região de Cherkasy.
O contexto estratégico é claro: o ataque ocorre dias após um raid ucraniano contra um complexo escolar na região ocupada de Lugansk, episódio para o qual o Kremlin prometeu uma resposta militar. Moscou já havia implantado o Oreshnik em território bielorrusso — aliado e vizinho que faz fronteira com Polônia, Lituânia, Letônia e a própria Ucrânia — e utilizou o míssil em novembro de 2024 e em janeiro de 2026, sem transportar ogivas nucleares nesses lançamentos.
Kremlin atribuiu ao ataque ucraniano em Starobilsk, na área de Lugansk ocupada, a responsabilidade por dezenas de vítimas — 18 mortos e mais de 40 feridos, segundo Moscou. Kiev nega ter mirado civis e afirmou ter atacado uma unidade russa de drones presente na região.
Como analista, observo que este é um movimento decisivo no tabuleiro geopolítico: a utilização do Oreshnik e o ataque coordenado sobre a capital ucraniana representam um redesenho de fronteiras invisíveis na relação Rússia-Ocidente. A tática de atingir infraestruturas civis e pontos de acolhimento civil aponta para uma pressão destinada a desgastar a coesão interna e a resposta internacional, testando os limites da tectônica de poder na Europa.
Em termos práticos, as próximas horas e dias serão decisivas: a comunidade internacional — em particular aliados ocidentais da Ucrânia — terá de calibrar respostas políticas e militares sem permitir escaladas que impliquem riscos estratégicos maiores. No tabuleiro diplomático, cada movimento terá repercussões duradouras sobre a estabilidade regional.
Marco Severini — Espresso Italia