Marido de Monica Montefalcone exige respostas: “Deve ter acontecido algo lá embaixo”
Carlo Sommacal, marido de Monica Montefalcone, questiona circunstâncias do mergulho nas Maldivas e exige retornar corpos; há confusão sobre autorizações.
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Marido de Monica Montefalcone exige respostas: “Deve ter acontecido algo lá embaixo”
Por Marco Severini — Em um relato carregado de dor e de precisão quase cartográfica, Carlo Sommacal, marido da professora e mergulhadora experiente Monica Montefalcone, reafirmou a convicção de que algo inesperado e singular ocorreu durante a expedição nas Maldive que resultou na morte de sua esposa, da filha Giorgia e de outras três pessoas. Enquanto as autoridades locais e equipes de resgate procuram recuperar os corpos que ainda não ressurgiram, Sommacal concentra-se em trazer os entes queridos de volta ao solo italiano antes de qualquer julgamento de responsabilidades.
Com o tom grave de quem observa um tabuleiro após um lance devastador, Sommacal lembrou ao jornal que Monica Montefalcone era uma especialista reconhecida — docente associada de Ecologia do Distav da Universidade de Gênova, sobrevivente do tsunami de 2004, com mais de 5.000 mergulhos registrados e décadas de experiência nas Maldive. “Ela tinha sempre a prancheta na mão para anotar o que estudava”, disse o marido, sublinhando que jamais colocaria em risco a vida da filha ou de companheiros de mergulho.
Em meio a uma sequência de relatos contraditórios sobre autorizações e limites operacionais, Sommacal denunciou a confusão que se instalou: ora as permissões existiam, ora não; ora o limite era de 30 metros de profundidade, ora havia exceções; e ainda divergências sobre a função de um tal Gianluca, apontado ora como operador da equipe Albatros, ora como profissional externo. “Tenho ouvido de tudo. Proibi meu filho de ir às redes sociais porque se lê qualquer coisa”, declarou.
O marido reforçou acreditar que a documentação de autorização incluía todos os mergulhadores: “Não creio que não houvesse autorização para minha filha. Não acredito nisso”. Ao mesmo tempo, manteve uma postura pragmática e cautelosa: “Agora só me interessa trazer minha mulher e minha filha para casa. Se depois surgirem responsabilidades, veremos”.
Na tessitura dos fatos — e nas lacunas deixadas pela comunicação oficial —, uma peça potencialmente útil pode emergir dos próprios equipamentos: a GoPro que Monica costumava usar em suas imersões e que poderia oferecer imagens diretas do que ocorreu “lá embaixo”. Sommacal recordou que a família, e em particular sua esposa, seguia uma política rigorosa: diante de um alerta ou de um problema meteorológico, não se descia. A convicção de que “deve ter acontecido algo lá embaixo” traduz a tensão entre a perícia técnica e a contingência trágica.
Sommacal também comentou que recebeu informações do consulado e que ainda avalia a necessidade de deslocamento à região das buscas. Entre a dor pessoal e a necessidade de clareza sobre os fatos, seu discurso assumiu a calma de quem organiza as próximas jogadas num tabuleiro complexo: recolher provas, preservar testemunhos e, eventualmente, apontar responsabilidades.
Para além do episódio imediato, esta tragédia aponta para o desafio institucional e logístico que envolve operações de mergulho em áreas remotas: autorização, cadeia de comando, interação entre operadoras locais e instrutores estrangeiros, e a transparência documental que permite reconstruir um incidente. Como num plano geométrico de influência, cada peça — operador, equipamento, autorização, condição ambiental — tem papel decisivo no resultado final.
Enquanto a comunidade científica e de mergulho lamenta a perda de uma figura que, na descrição do marido, era “entre as melhores subaquáticas do planeta”, as investigações e as diligências prosseguem. A família aguarda o retorno dos corpos, e a nação observa atentamente, aguardando que as camadas de incerteza sejam removidas com o rigor de uma cartografia forense.