Cartas privadas de Diana a Terence Stamp expostas: humor, Prozac e confidências reais à venda em leilão
Cartas íntimas de Diana a Terence Stamp revelam humor, uso de Prozac e confidências; itens vão a leilão na Bonhams em Londres.
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Cartas privadas de Diana a Terence Stamp expostas: humor, Prozac e confidências reais à venda em leilão
Por Marco Severini — Há movimentos no tabuleiro da memória pública que reconstroem, com leveza e tensão, os contornos de relações pessoais que fizeram eco nas estruturas de poder. A publicação, pela Bonhams em Londres, de uma série de cartas trocadas entre a princesa Diana e o ator Terence Stamp — escritas entre julho e dezembro de 1991 — promete abrir uma janela sobre uma amizade que misturava afeto íntimo, ironia cultural e sinais de fragilidade.
Os documentos, conforme apurado pela CNN e confirmados pela casa de leilões, incluem bilhetes em papel timbrado do Kensington Palace, cartões de Natal e mensagens de agradecimento. Um bilhete de setembro de 1991 descreve, com elegância e senso de humor, um almoço memorável: "O champagne era excelente e acredito que não haja muitas garrafas desse nível por aí". Noutro cartão, a princesa pontua sua ironia pop sobre a vida a dois com a graça de quem domina a própria imagem pública: "Por que Deus inventou o sexo?..." — com a resposta anexa: "...para que pessoas casadas façam algo juntas ao menos duas vezes por ano!"
Porém, sob a superfície das anedotas e dos brindes, emergem confidências mais duras. Em 17 de outubro de 1991, Diana escreve a Stamp um texto carregado de reconhecimento e cansaço: "Você é tão gentil comigo e estou profundamente comovida com sua compreensão do meu trabalho/papel e do que isso implica. Poucos se dão ao trabalho de aprofundar uma situação tão complexa". A mesma carta traz uma referência direta à sua saúde mental: "Três urrás pelo Prozac, não pelo show americano, cabe ressaltar" — um comentário que informa, sem alarde sensacionalista, sobre o tratamento que enfrentava naquele período.
Do ponto de vista clínico, o uso de fluoxetina (Prozac) é consagrado para depressão, transtorno obsessivo-compulsivo e bulimia, conforme diretrizes do NHS. A menção, portanto, ultrapassa o anedótico e desvela a tensão latente entre o papel público de Diana e as batalhas privadas que travava.
Os lotes serão vendidos separadamente, com estimativas que vão de 500 libras a 2.000 libras por item, integrando um leilão mais amplo dedicado ao espólio de Stamp, falecido no ano passado. Entre os objetos em destaque também figuram duas roteiros originais dos filmes "Superman" (1978) e "Superman II" (1980), assinados com as iniciais do ator e avaliados entre 3.000 e 5.000 libras — lembrança de sua figura icônica como o General Zod.
Não se trata de novidade na comercialização da intimidade real: cartas de Diana já foram arrematadas anteriormente. Em 2024, correspondências dirigidas à sua ex-governanta Violet Collison passaram por leilão; em 2023, um conjunto de 32 cartas enviadas aos amigos Susie e Tarek Kassem, durante o conturbado divórcio com o então príncipe Charles, foi adquirido pela BBC por 145.550 libras.
Enquanto os leiloeiros afinam o martelo e o público aguarda a reabertura dessas páginas privadas, é preciso ler os sinais com uma lente geopolítica: a circulação de cartas íntimas revela não apenas curiosidade pública, mas o modo como figuras simbólicas continuam a moldar narrativas sobre monarquia, mídia e saúde mental. É um redesenho de fronteiras invisíveis entre esfera pública e privada — um movimento decisivo no tabuleiro onde memória, mercado e política se encontram.