Controvérsia dos vistos: Irã participará dos Mundiais 2026 nos EUA apenas nos dias de jogo

Seleção do Irã vai aos EUA apenas nos dias de jogo após disputa sobre vistos; base transferida para Tijuana e parte da direção teve entrada negada.

Controvérsia dos vistos: Irã participará dos Mundiais 2026 nos EUA apenas nos dias de jogo

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Controvérsia dos vistos: Irã participará dos Mundiais 2026 nos EUA apenas nos dias de jogo

Por Marco Severini — Em um movimento que expõe as fracturas diplomáticas na arena internacional, a seleção de futebol do Irã deixou no sábado a Turquia com destino ao México para participar da Copa do Mundo Mundiais 2026 (11 de junho a 11 de julho), depois de uma disputa pública sobre o visto que envolveu os Estados Unidos e membros de sua delegação.

O avião com a comitiva iraniana partiu de Antalya e tinha previsão de chegada ao México no domingo. Em razão do agravamento do conflito no Oriente Médio e dos atritos diplomáticos recentes, a permanência no solo americano foi reduzida a uma presença estritamente funcional: a equipe deverá estar nos EUA apenas nos dias em que disputar suas partidas.

Como reflexo dessa tensão, o campo-base da seleção foi transferido de Tucson, no Arizona, para Tijuana, no México, cidade fronteiriça que permite deslocamentos mais controlados e de curta duração para partidas em solo norte-americano. Trata-se de um redesenho prático do itinerário, um ajuste tático no tabuleiro da diplomacia para mitigar riscos e constrangimentos.

O embaixador dos Estados Unidos na Turquia, Tom Barrack, afirmou que os vistos foram concedidos aos jogadores e ao “pessoal de suporte necessário” para entrar nos EUA, onde a seleção iraniana disputará as três partidas da fase de grupos. A declaração, porém, não encerrou a controvérsia.

A embaixada do Irã em Ancara reagiu nas redes sociais questionando por que não se menciona que muitos dirigentes, consultores técnicos e outras figuras-chave da comitiva tiveram os vistos negados. A missão diplomática denunciou o que qualificou como um “tratamento discriminatório” contra sua equipe ao mais alto nível.

Veículos de imprensa iranianos, como o site esportivo Varzesh3, relataram que o presidente da Federação Iraniana de Futebol, Mehdi Taj, não obteve o visto. Jornalistas da televisão estatal turca mencionaram que cerca de 15 membros da administração e da direção técnica permaneceram sem autorização de entrada.

Um porta-voz do governo norte-americano confirmou que os vistos necessários para a participação do Irã no torneio — incluindo os de atletas e do staff técnico essencial — foram concedidos. Ao mesmo tempo, acrescentou que Washington não permitirá que o sistema de vistos seja usado para infiltrar “elementos terroristas” sob pretextos falsos, sem oferecer detalhes adicionais.

O Irã foi uma das primeiras seleções a garantir vaga para a Copa de 2026, mas a participação esteve seriamente questionada desde o início da ofensiva de 28 de fevereiro, que elevou a tensão regional. A equipe estreia no dia 15 de junho em Los Angeles, voltará à mesma cidade para enfrentar o Bélgica em 21 de junho e encerrará a fase de grupos contra o Egito em 26 de junho, em Seattle. Nos amistosos preparatórios na Turquia, o Irã venceu o Gâmbia por 3-1 (29 de maio) e o Mali por 2-0 (4 de junho).

Curiosamente, poucas horas após confirmar que permitiria a entrada dos jogadores, os Estados Unidos anunciaram novos ataques contra o Irã, um gesto que demonstra a fragilidade dos alicerces diplomáticos e a complexidade de se gerir segurança e esportes em tempos de conflito. No tabuleiro global, este episódio é um movimento tático que evidencia como competições esportivas podem tornar-se peças simbólicas na tectônica do poder.

Em suma, a participação iraniana nos Mundiais 2026 seguirá adiante, porém em condições reduzidas: presença restrita nos EUA, logística transferida para o México e uma delegação técnica parcialmente impedida. A partida diplomática segue em curso enquanto o mundo observa não apenas o jogo em campo, mas também os cálculos nos bastidores.