Crosetto defende expansão da NATO e afirma que bases pertencem à Aliança

Crosetto defende expansão da NATO e diz que bases são da Aliança; propõe coalizão para o Estreito de Hormuz se ONU estiver bloqueada.

Crosetto defende expansão da NATO e afirma que bases pertencem à Aliança

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Crosetto defende expansão da NATO e afirma que bases pertencem à Aliança

Por Marco Severini — Em intervenção no Mediterranean and Middle East Special Group da NATO, o ministro da Defesa, Crosetto, traçou um diagnóstico claro e estratégico sobre a função das instalações militares e o papel da Aliança no atual cenário geopolítico. Com tom sóbrio e de engenharia diplomática, afirmou que as bases instaladas em território italiano ou em qualquer outra parte do mundo não são bens nacionais, mas ativos coletivos a serviço da aliança, destinados a todos os aliados — da Itália aos Estados Unidos e à Alemanha — em igualdade de uso.

O ministro sublinhou que, num momento de crescente instabilidade, não faz sentido enfraquecer a organização de defesa mais poderosa existente. Em sua análise, manter as bases abertas é também interesse prioritário dos Estados Unidos, que têm razões estratégicas para não promover fechamentos precipitadas. Crosetto relembrou que a Itália, ao longo do tempo, respeitou os acordos e manteve as infraestruturas operacionais disponíveis, sem adotar as decisões de fechamento ou declarações públicas que alguns outros atores escolheram — uma resposta implícita às críticas externas formuladas por figuras como Trump.

No mesmo fórum, o ministro abordou a questão sensível do Estreito de Hormuz. Explicou que a operação para reabrir essa via estratégica pode ser articulada com ou sem o aval da ONU, dado que uma única objeção no Conselho de Segurança pode bloquear um mandato. Por isso, observou Crosetto, existe a possibilidade real de formar uma coalizão ampla — na casa de 30 a 40 países — que, em caso de bloqueio das Nações Unidas, atuaria independentemente, mas sempre condicionada a uma cessação de hostilidades; sem trégua, não há operação possível, e a Itália não irá participar de ações sem essa condição.

Ao abrir os trabalhos do seminário do Grupo Especial Mediterrâneo e Médio Oriente da Assembleia Parlamentar da Aliança, Crosetto articulou uma visão normativa da NATO: a Aliança não é um clube social nem um fórum cultural, mas uma estrutura coletiva de defesa que assenta nas forças combinadas dos Estados membros. Depois de um período em que se subestimou a sua relevância — quando alguns chegaram a vê-la como um custo supérfluo — a nova tectônica de poder obrigou a uma revisão de perspectivas. Nas palavras do ministro, parte substancial da nossa segurança e da capacidade de dissuasão está nas mãos da NATO, e só um país, os Estados Unidos, poderia teoricamente dispensá-la.

Conclui-se que a proposta de Crosetto é de um redesenho estratégico: uma NATO que alarga os seus contornos, acolhendo países que partilhem valores comuns e que compreenda que a defesa coletiva ultrapassa os limites do Atlântico. Trata-se de um movimento decisivo no tabuleiro — uma jogada para reforçar alicerces frágeis da diplomacia e consolidar corredores de segurança numa cartografia em mutação.