Davos: encontro Zelensky‑Trump é “positivo” mas acordo sobre territórios do Donbass fica pendente

Reunião em Davos entre Zelensky e Trump foi 'positiva' mas não selou acordo; as disputas sobre o Donbass e garantias de segurança seguem abertas.

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Davos: encontro Zelensky‑Trump é “positivo” mas acordo sobre territórios do Donbass fica pendente

Por Marco Severini, Espresso Italia

Em Davos, num movimento que lembraria uma jogada ponderada num tabuleiro internacional, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky sai do encontro bilateral com o presidente americano Donald Trump com um copo meio cheio. A reunião de cerca de uma hora foi definida por Zelensky aos jornalistas como "positiva", mas terminou sem a assinatura que materializaria garantias de segurança norte‑americanas cuja ausência pesa sobre Kiev.

Segundo relatos oficiais, a discussão sobre as garantias — peça-chave para dissuadir futuras agressões de Moscou — está praticamente fechada em termos substantivos: faltaria apenas a formalização em papel. O ponto crítico que manteve as partes em desacordo permanece, porém, o mesmo de sempre: os territórios orientais reivindicados pela Rússia. Vladimir Putin, nos cálculos do Kremlin, não faz concessões sobre o Donbass e exige a integração de toda a região.

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Entre as áreas em jogo estão trechos de Donetsk ainda sob controle ucraniano — bastiões como Slovyansk e Kramatorsk, nós vitais da linha fortificada erguida por Kiev desde a perda da Crimeia em 2014. Se essas linhas defensivas forem transpostas pelas forças russas, abre‑se um corredor que poderia acelerar um redesenho territorial de consequências incertas. É uma ameaça que, por sua natureza, altera a tectônica de poder no tabuleiro euro‑asiático.

No palco do World Economic Forum, entretanto, Zelensky trouxe à tona uma crítica dura à União Europeia. Em termos que lembraram uma lição de arquitetura diplomática — onde alicerces fracos comprometem toda a estrutura — ele acusou a UE de operar hoje como um "caleidoscópio bonito mas fragmentado" em vez de um ator capaz de proteger liberdades e dissuadir agressões. Para o presidente ucraniano, a chamada independência estratégica europeia ainda é, no momento, uma intenção teórica mais do que uma capacidade efetiva.

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Nos dias anteriores ao encontro, ataques russos aos sistemas energéticos ucranianos infligiram danos severos: milhões de pessoas foram deixadas sem eletricidade e aquecimento em uma noite em que as temperaturas chegaram a cerca de quinze graus abaixo de zero. Tal realidade humanitária acentuou a gravidade do conflito, mas por um interlúdio a atenção da reunião em Davos concentrou‑se sobre o chamado "caso Groenlândia" — um episódio diplomático que, segundo relatos, teria terminado em um compromisso sobre a ilha cujo alcance ainda é vago, com Trump assegurando "acesso total".

Na manhã seguinte, contudo, a guerra voltou a subir à agenda. Uma mesa de trabalho sobre a Ucrânia reuniu, entre outros, o enviado da Casa Branca Steve Witkoff, o que foi relatado como presença de dirigentes europeus — incluindo o primeiro‑ministro neerlandês Mark Rutte, o presidente da Finlândia Alexander Stubb e chefes de governo da Bélgica e dos Países Baixos, Bart De Wever e Dick Schoof. Rutte sublinhou que "o apoio militar à Ucrânia deve continuar" e expressou a convicção de que, se Kiev resistir até a primavera, encontrará uma posição estratégica mais favorável. Stubb foi mais enfático ao sinalizar esperança de derrota das forças russas, com base nos elevados custos humanos que a ofensiva tem imposto ao invasor.

Apesar das palavras de encorajamento, Zelensky mostrou‑se visivelmente irritado com as chancelerias que por 24 horas pareceram tê‑lo esquecido, distraídas por outras prioridades estratégicas. O quadro que emerge de Davos é, assim, o de uma diplomacia em movimento: avanços táticos, resultados ainda não ratificados, e a persistente incerteza sobre o que Moscou exigirá para travar o conflito. Em termos de geopolítica, é uma posição que lembra uma partida em que se consolidam peças no tabuleiro, mas a jogada decisiva — a assinatura que transformaria intenções em garantias — permanece na mão de poucos.

Enquanto isso, a realidade no terreno continua brutal, e a necessidade de coordenação entre apoio militar, resiliência civil e coesão política europeia foi reafirmada como imperativa por aqueles que veem no conflito ucraniano não apenas uma crise regional, mas um teste para a estabilidade do sistema internacional.

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