Di Maio defende desescalada e apoio estratégico aos Países do Golfo diante de ataques do Irã
Di Maio pede desescalada, apoio aos Países do Golfo e reforço da resiliência das infraestruturas energéticas após ataques do Irã.
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Di Maio defende desescalada e apoio estratégico aos Países do Golfo diante de ataques do Irã
Por Marco Severini — Em um pronunciamento sóbrio e de alcance estratégico, Luigi Di Maio, Representante Especial da União Europeia para a Região do Golfo, reforçou a necessidade de trabalhar por uma desescalada imediata do conflito que atinge a região e seus atores centrais. Em intervenção por videoconferência na LetExpo — feira de referência em transportes, logística e sustentabilidade — Di Maio sublinhou que os Estados do Conselho de Cooperação do Golfo (Países do Golfo: Arábia Saudita, Emirados, Qatar, Omã, Bahrein e Kuwait) estão sob ataque e requerem apoio consistente.
Na visão do representante europeu, trata-se de uma combinação de laços de amizade e de interesses estratégicos: além das relações políticas, há um volume expressivo de investimentos de empresas europeias nesses países, tornando o apoio não apenas um gesto diplomático, mas também uma defesa de interesses econômicos e de estabilidade. "Os Estados europeus se mostraram reativos: Itália, França e outros responderam prontamente às solicitações de apoio", afirmou Di Maio.
Do ponto de vista técnico-militar, Di Maio destacou um canal de cooperação civil e militar significativo entre os Estados do Golfo e a Ucrânia, centrado na capacidade de neutralizar drones e mísseis balísticos mediante o uso de drones contra drones — uma lição de modernização defensiva que atravessa fronteiras e cria novas fileiras de cooperação tecnológica.
Outra preocupação central apontada pelo diplomata é a resiliência das infraestruturas em zonas de conflito. A proteção de redes energéticas, cadeias de abastecimento e exportações não vinculadas ao petróleo e ao gás — como fertilizantes — deve ser prioridade. Di Maio lembrou que o Qatar é um dos maiores produtores mundiais de fertilizantes, muitos dos quais transitam pelo estreito de Hormuz, expondo cadeias logísticas críticas.
Para o representante, a resposta passa pela construção de alternativas: rotas comerciais e pipelines diversas que possam reduzir vulnerabilidades. "A resiliência implica diversificação", disse, evocando a lição aprendida após a invasão da Ucrânia: a Europa diversificou seus fornecedores e hoje não enfrenta uma escassez de gás ou petróleo, embora o impacto sobre preços permaneça um fenômeno global que transcende fronteiras regionais.
Do ponto de vista estratégico, este é um movimento que altera a tectônica de poder na região e exige uma leitura fina e coordenada por parte dos atores europeus. A iniciativa política europeia teve expressão na Assembleia Geral das Nações Unidas, onde a resolução de solidariedade com os países do Golfo, apresentada pelo Bahrein em nome do GCC, obteve apoio unânime dos Estados europeus.
Em suma, a mensagem de Di Maio combina pragmatismo e geopolítica: apoio diplomático e operacional aos aliados do Golfo, fortalecimento da segurança alimentar e energética por meio de resiliência e diversificação, e um apelo por medidas que preservem a estabilidade do tabuleiro regional antes que as fraturas se alarguem.


