Drone russo atinge depósito de combustível esgotado perto de Chernobyl; Zelensky chama ataque de 'vil' em encontro com líderes em Londres

Drone russo atinge depósito vazio perto de Chernobyl; Zelensky chama ataque de vil e busca apoio em Londres. Radiação dentro da norma, segundo Energoatom.

Drone russo atinge depósito de combustível esgotado perto de Chernobyl; Zelensky chama ataque de 'vil' em encontro com líderes em Londres

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Drone russo atinge depósito de combustível esgotado perto de Chernobyl; Zelensky chama ataque de 'vil' em encontro com líderes em Londres

Por Marco Severini — Em um movimento que reafirma a escalada calculada no tabuleiro geopolítico, um drone russo atingiu na madrugada um depósito de combustível nuclear esgotado nas imediações da antiga usina de Chernobyl. A informação foi confirmada pela estatal ucraniana Energoatom, que ressalta: o container atingido estava vazio e os níveis de radiação permanecem dentro da norma.

O ataque ocorre no dia em que o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky se reúne em Londres com os chamados «Voluntários» — líderes europeus empenhados em coordenar apoio a Kiev. Ainda durante a noite, ataques com drones atribuídos a Moscou provocaram duas mortes em território ucraniano: uma em Zaporizhzhia e outra em Dnipropetrovsk, segundo as autoridades locais.

Zelensky qualificou o incidente como um ataque "extremamente vile" e acusou a Rússia de mirar deliberadamente infraestruturas de importância crítica. "Hoje os russos novamente atacaram a zona especial em torno da usina de Chernobyl", escreveu o presidente ucraniano, especificando que um drone do tipo Shahed atingiu um dos prédios do depósito centralizado de combustível exaurido. As equipes de socorro ucranianas controlaram o incêndio gerado após a detonação.

Na sua declaração, o chefe do Estado ucraniano sublinhou que "não se registram níveis de radioatividade superiores à norma" no momento, mas advertiu para a crescente desfaçatez russa, que já teria ultrapassado todos os limites aceitáveis. Zelensky apelou por passos concretos da comunidade internacional para que a tática russa — que classificou como terrorismo de Estado — sofra uma resposta proporcional e coordenada, capaz de modificar o cálculo estratégico de Moscou.

Além do episódio em Chernobyl, a Presidência de Kiev reportou que, na última noite, a Rússia atacou infraestruturas civis em 13 regiões ucranianas. No balanço semanal apresentado por Zelensky figuram números que revelam a intensidade da ofensiva: 88 mísseis, mais de 3.250 drones de ataque e cerca de 1.800 bombas aéreas guiadas lançadas contra o território ucraniano na última semana.

Na agenda diplomática, hoje em Londres Zelensky dialogará com o presidente francês Emmanuel Macron, o chanceler alemão Friedrich Merz e o primeiro-ministro britânico Keir Starmer. Os três líderes europeus farão um encontro preparatório entre si e, às 18h30 (horário italiano), reunirão-se com o presidente ucraniano para "fazer o ponto sobre o trabalho realizado para alcançar uma paz justa e duradoura na Ucrânia", conforme comunicado oficial da França.

Do lado ucraniano, operações com drones teriam atingido 26 alvos em zonas ocupadas das regiões de Luhansk, Donetsk e Zaporizhzhia, além de locais na Crimeia e na região russa de Bryansk. As forças de Kyiv relatam a destruição de um sistema de defesa aérea, danos em locomotivas e vagões-tanque carregados de combustível, além de prejuízos a subestações elétricas.

Analiticamente, trata-se de um jogo de pressões simultâneas: enquanto Moscou demonstra capacidade e vontade de abrir frentes que forçam respostas militares e políticas de Kyiv, os parceiros ocidentais tentam consolidar uma frente diplomática e material que evite a erosão das linhas defensivas ucranianas. É um movimento decisivo no tabuleiro — onde os alicerces frágeis da estabilidade regional são testados e a tectônica de poder entre Europa e Rússia se rearranja sob o olhar atento da comunidade internacional.

Permanece imprescindível, na avaliação estratégica, acompanhamento técnico contínuo das leituras radiológicas no perímetro de Chernobyl e uma coordenação internacional para que infraestruturas nucleares e de armazenamento não se transformem em alvos que ampliem o risco humanitário e ambiental na região.