EUA autorizam por 30 dias compra de petróleo russo; UE e Kiev criticam risco de financiar a guerra

EUA autorizam por 30 dias compra de petróleo russo; UE e Ucrânia criticam impacto financeiro que pode sustentar a guerra de Moscou.

EUA autorizam por 30 dias compra de petróleo russo; UE e Kiev criticam risco de financiar a guerra

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EUA autorizam por 30 dias compra de petróleo russo; UE e Kiev criticam risco de financiar a guerra

Por Marco Severini — A decisão dos EUA de suspender por 30 dias as sanções sobre alguns carregamentos de petróleo russo deixou expostas as fraturas que percorrem o tabuleiro geopolítico do Ocidente. Washington permitirá temporariamente a compra de cargas de hidrocarbonetos russos que permaneciam em alto-mar, medida apresentada como um remédio pontual para aliviar o impacto no preço da energia provocado pela guerra no Irã e pela interdição do Estreito de Hormuz. Ainda assim, a manobra conflita com a linha endurecida que vinha sendo mantida pelo G7: pressão máxima para elevar o custo do esforço bélico de Moscou.

Em Paris, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky foi incisivo: "Essa única concessão, tomada isoladamente, pode garantir à Rússia cerca de 10 bilhões de dólares para a guerra. Isso certamente não ajuda a paz", declarou durante coletiva ao lado do presidente Emmanuel Macron. Zelensky sublinhou que a decisão de Washington "não é muito lógica", porque fornecerá recursos à "máquina de guerra" russa, num momento em que inúmeras infraestruturas já foram reconstruídas em território russo para desestabilizar o Médio Oriente.

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Macron, por seu turno, reiterou a posição comum dos aliados: durante a videoconferência de quarta-feira, a recomendação do G7 a Washington foi clara — manutenção das sanções. "A situação atual não justifica de forma alguma a revogação das sanções", afirmou o presidente francês, enfatizando o compromisso europeu com a coerência das medidas restritivas.

O chanceler alemão Friedrich Merz, em viagem oficial à Noruega, avaliou a medida com ceticismo técnico: "No momento há um problema de preço, não de oferta". Merz, que figura entre os líderes europeus mais alinhados com a Casa Branca, pediu transparência: gostaria de saber quais outros fatores levaram o governo americano a adotar essa exceção.

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Antonio Costa, presidente do Conselho Europeu, qualificou a iniciativa como "preocupante" por afetar a segurança europeia. Em mensagem na rede X, Costa sublinhou que aumentar a pressão econômica sobre Moscou é decisivo para conduzir a Rússia a negociações sérias rumo a uma paz justa e duradoura; enfraquecer as sanções, escreveu, amplia os recursos disponíveis para prosseguir a agressão contra a Ucrânia.

Do ponto de vista estratégico, trata-se de um movimento de alto risco sobre o tabuleiro: aparente alívio tático no curto prazo contra possíveis danos estratégicos à unidade ocidental. A decisão americana funciona como um ajuste numa arquitetura energética perturbada — mas também abre espaço para que o Kremlin converta liquidez em capacidade bélica. A tectônica de poder revela, aqui, alicerces frágeis da diplomacia coletiva, onde um único passo isolado pode redesenhar fronteiras invisíveis de influência e financiamento.

Na leitura diplomática, resta a pergunta sobre a sequência: Washington sinaliza uma exceção temporária e técnica, ou abre uma estrada de concessões que outros atores no tabuleiro internacional estarão prontos a explorar? A coerência das sanções, até aqui um instrumento central da pressão contra Moscou, depende da resposta coletiva dos aliados. Se a estratégia do Ocidente for comparada a uma partida de xadrez, a jogada americana é um lance que exige imediata leitura da reação europeia e ucraniana — caso contrário, o rei da estabilidade pode ficar exposto.

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