EUA e Israel teriam buscado Ahmadinejad para liderar o Irã após ataque; plano fracassou quando ex-presidente foi ferido

Relatos indicam que EUA e Israel tentaram instalar Ahmadinejad no poder do Irã; plano fracassou após ele ser ferido em ataque a Teerã.

EUA e Israel teriam buscado Ahmadinejad para liderar o Irã após ataque; plano fracassou quando ex-presidente foi ferido

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EUA e Israel teriam buscado Ahmadinejad para liderar o Irã após ataque; plano fracassou quando ex-presidente foi ferido

Por Marco Severini – Em análise geopolítica.

Relatórios recentes do New York Times trazem à luz um movimento estratégico que, se confirmado em sua totalidade, representa um dos episódios mais delicados da recente tectônica de poder no Oriente Médio: antes e no momento inicial da ofensiva contra o Irã, as administrações dos EUA e de Israel teriam articulado, como objetivo concreto, a instalação do ex-presidente Mahmoud Ahmadinejad como interlocutor e possível chefe de um governo alternativo em Teerã.

Segundo a reportagem, a operação contemplava fases articuladas — a eliminação da cúpula da República Islâmica, campanhas de desestabilização internas e pressão militar coordenada — com o intuito de provocar o colapso institucional e facilitar um regime change. Nesse desenho estratégico, Ahmadinejad teria sido identificado como a figura capaz de receber e legitimar, interna e externamente, esse novo centro de poder.

Havia sinais públicos dessa expectativa: poucos dias após ataques que culminaram na morte da Guia Suprema, relatos indicam que o então Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chegou a admitir que seria desejável que "alguém de dentro" tomasse o poder — formulação que, na leitura dos analistas, apontava para uma transição instrumental que poderia beneficiar interlocutores ocidentais. Ainda assim, a escolha por Ahmadinejad gerava resistências internas no aparato americano, dado seu histórico de retórica beligerante contra Israel e seu apoio declarado ao programa nuclear iraniano.

O plano, porém, não sobreviveu ao primeiro dia de hostilidades. Informações apuradas pelo NYT e por veículos regionais indicam que um ataque aéreo israelense golpeou a residência atribuída a Ahmadinejad, no bairro de Teerã conhecido como Narmak. O ex-presidente, então com 69 anos, teria sido ferido no episódio — circunstância que desarticulou o design de alto risco concebido por atores externos e internos.

Desde o incidente, Ahmadinejad não voltou a aparecer em público; seu paradeiro e estado de saúde são envoltos em silêncio oficial. Circulam vídeos e informações contraditórias nas redes e na mídia internacional — inclusive relatos de que o próprio gabinete negou notícias sobre a morte do ex-presidente, afirmando que ele estaria vivo e em local seguro.

Em termos estratégicos, a tentativa de promover uma substituição de regime com uma figura tão polêmica evidencia tanto a complexidade quanto os limites da intervenção externa: é um movimento de xadrez arriscado, que exige peças letais e apoio interno robusto — condições que, na prática, não se alinharam. A rápida deterioração do plano revela os alicerces frágeis da diplomacia quando esta aposta em operações que dependem de rupturas internas profundas.

Esta sequência de eventos sublinha ainda uma lição clássica de Realpolitik: a projeção de poder é eficaz apenas quando capaz de combinar estratégia externa com fissuras internas que sejam verdadeiramente exploráveis. O episódio, para historiadores e estrategistas, será matéria-prima para reavaliar a interação entre coerça militar e transição política em Estados com estruturas de poder resilientes.

Enquanto isso, a incógnita sobre a condição de Ahmadinejad e as repercussões diplomáticas entre EUA, Israel e Irã permanecem como um movimento em aberto no grande tabuleiro da ordem regional.