Eurodeputados pedem fim das viagens mensais a Estrasburgo para poupar energia e custos

Eurodeputados pedem suspensão das sessões em Estrasburgo para poupar energia e custos; movimento envolve 4 mil pessoas e custa €200 mi/ano.

Eurodeputados pedem fim das viagens mensais a Estrasburgo para poupar energia e custos

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Eurodeputados pedem fim das viagens mensais a Estrasburgo para poupar energia e custos

Por Marco Severini — Em um momento em que a crise energética impõe rédeas aos gastos públicos e à mobilidade, um grupo de eurodeputados neerlandeses lançou um apelo direto à presidência do Parlamento Europeu: suspender as transferências mensais para Strasburgo e concentrar os trabalhos em Bruxelas até que a situação se normalize.

Assinam a carta Anja Hazekamp (PvdD), Bert-Jan Ruissen (SGP), Sebastian Kruis (PVV) e Sander Smit (BBB). Na missiva endereçada à presidente Roberta Metsola, os parlamentares sustentam que as instituições europeias devem dar o bom exemplo e adotar medidas imediatas de economia de energia. "Pedimos que Vossa Excelência demonstre aos cidadãos da UE que estamos assumindo responsabilidades, contribuindo imediatamente para a poupança energética e transferindo todas as sessões plenárias para Bruxelas até a normalização da situação", escrevem.

O apelo ganha força por razões conjunturais: a crise de combustíveis decorrente do fechamento do Estreito de Hormuz elevou o custo logístico e ambiental da chamada "transumância" parlamentar. Uma semana por mês, a rotina do Parlamento Europeu desloca-se de Bruxelas para a cidade francesa de Estrasburgo, com o transporte de caixas, pastas, documentos e pessoal. Estima-se que cerca de 4 mil pessoas participem desse movimento mensal entre Bélgica e França, utilizando trem, ônibus, carros e aviões — um deslocamento com impacto ambiental considerável.

Além do custo ecológico, há o custo direto em euros: uma análise do Tribunal de Contas Europeu indica que a manutenção da dupla sede custa cerca de 200 milhões de euros ao ano. Trata-se, portanto, de um ponto de atrito entre eficiência administrativa, responsabilidade climática e lógica política. A questão da abolição da dupla sede não é nova; agora, contudo, os alicerces frágeis da diplomacia entram em tensão com a urgência energética e orçamentária.

Até o momento, a carta não recebeu resposta formal, e a sessão plenária de abril está prevista para decorrer normalmente em Estrasburgo na próxima semana. Resta saber se este apelo encontrará eco político ou se o dossier voltará a ser arquivado, apesar da urgência.

Como analista com visão de tabuleiro de xadrez, observo que a situação desenha um pequeno, porém significativo, redesenho de fronteiras invisíveis no seio europeu: cada decisão sobre locais de trabalho, logística e custos traduz-se em movimentos que afetam a tectônica de poder da União. Promover a centralização provisória em Bruxelas seria um gesto pragmático, simbólico e economicamente inteligível — um movimento decisivo no tabuleiro para preservar recursos e legitimidade institucional.

Se a Europa pretende liderar pelo exemplo na transição energética, as instituições devem alinhar procedimentos internos com os objetivos declarados; caso contrário, o fosso entre discurso e prática continuará a corroer a confiança pública.