Crise no Pentágono e tensão no Golfo: Driscoll se demite enquanto conflito com Irã e escalada no Líbano agitam mercados

Driscoll se demite; escalada entre EUA e Irã, ataque a petroleira em Ormuz, bombardeios no Líbano e alta do petróleo agitam mercados.

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Crise no Pentágono e tensão no Golfo: Driscoll se demite enquanto conflito com Irã e escalada no Líbano agitam mercados

Por Marco Severini — Em um movimento que revela as fricções internas do aparelho de segurança norte-americano e os efeitos multiplicadores da tensão com o Irã no tabuleiro geopolítico, o secretário do Exército dos EUA, Dan Driscoll, apresentou sua demissão ao presidente Trump e deixará o cargo no Pentágono nos próximos dias. A decisão, comunicada a interlocutores em Washington, figura como um movimento decisivo numa partida em que as peças políticas e militares se reposicionam rapidamente.

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Uma fonte militar falou à CNN confirmando que Driscoll "discutiu com o presidente a situação atual do Exército e apresentou sua renúncia". A Casa Branca, por sua porta-voz Anna Kelly, enalteceu o papel do agora ex-secretário, afirmando que ele foi "extremamente eficaz" em promover a agenda de "Tornar a América Forte Novamente", restaurando foco na prontidão operativa, letalidade e participando de negociações sensíveis entre Rússia e Ucrânia.

Por trás do comunicado oficial, contudo, existem rachaduras: meios norte-americanos noticiaram meses de atrito entre Driscoll e o secretário à Defesa, Pete Hegseth. O New York Times aponta que a tensão decorreu, em parte, da recusa de Driscoll em remover quatro oficiais — dois homens e duas mulheres negros — de uma lista de promoções. O Washington Post relatou que Hegseth temia ser demitido por Trump e substituído por Driscoll. É um ajuste de forças onde lealdades internas e vetos informais redesenham linhas de comando.

No front externo, a guerra por procuração entre Washington e Teerã ganhou nova expressão operacional: a agência marítima britânica UKMTO registrou que três "projéteis não identificados" atingiram uma petroleira em trânsito no estreito de Hormuz, a 31 km a leste de Khasab, no Omã. Não houve relatos de vítimas ou impacto ambiental imediato. Agências iranianas, como a Tasnim, informaram que a petroleira saudita "Cedar" foi detida enquanto cruzava o corredor sul do estreito — um episódio que lembra a fragilidade das rotas energéticas no novo equilíbrio regional.

Ao mesmo tempo, o conflito no Líbano escalou: a agência nacional libanesa NNA reporta que Israel efetuou bombardeios em Zawtar al-Sharqiyah e ataques de artilharia em Kafr Rumman, no governadorado de Nabatieh. Há denúncias de uso de projéteis com fósforo, cujo emprego é alvo de proibições internacionais, e relatos de lançamentos de foguetes iluminadores sobre Al-Dhahira. São ações que testam os alicerces frágeis da diplomacia local e ampliam o risco de contágio.

Do ponto de vista econômico, a combinação de choques operacionais e riscos de abastecimento levou os preços do petróleo a novo avanço. A American Automobile Association (AAA) destacou que, pela primeira vez, o preço médio pago na bomba pelos americanos permaneceu acima de US$4 ao longo de agosto; em fevereiro, antes do conflito, a média era de US$2,98. Este aumento alimenta pressões inflacionárias e altera cálculos estratégicos de atores estatais e corporativos.

No tabuleiro diplomático-financeiro, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, agradeceu a Europa pelo "forte apoio" às medidas econômicas exigidas contra o Irã, reconhecimento público após coordenação no G7 e pouco antes das reuniões do G20 Finanças em Asheville. É uma demonstração clara de como sanções e coordenação multilateral são hoje peças centrais na tentativa de conter a escalada militar.

Em suma, assistimos a um redesenho de fronteiras invisíveis: a saída de Driscoll configura um ajuste interno com repercussões externas, enquanto incidentes navais, bombardeios transfronteiriços e choques de preços sinalizam uma tectônica de poder em movimento. A estabilidade regional depende agora tanto de decisões discretas nos corredores do poder em Washington quanto de respostas calculadas no campo — jogadas que, como no xadrez estratégico, podem antecipar ou precipitar o próximo grande movimento.

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