Islamabad prepara cenário diplomático para negociações entre EUA e Irã; presença iraniana segue envolta em incerteza
Islamabad blindada recebe negociações entre EUA e Irã; presença iraniana é incerta e o nó do Líbano complica o cenário diplomático.
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Islamabad prepara cenário diplomático para negociações entre EUA e Irã; presença iraniana segue envolta em incerteza
Islamabad encontra-se fortemente vigiada na véspera dos primeiros contatos diretos entre Estados Unidos e Irã desde o início da guerra em 28 de fevereiro. O Paquistão decretou dois dias de feriado extraordinário para garantir a segurança das delegações e dos jornalistas, enquanto a capital exibe ruas desertas e acesso estritamente controlado às áreas diplomáticas. Cerca de 10 mil agentes de ordem pública foram mobilizados — uma preparação que revela a sensibilidade estratégica do momento.
O ministro das Relações Exteriores paquistanês, Ishaq Dar, anunciou que todos os participantes dos "Islamabad Talks 2026" — delegados e imprensa dos países envolvidos — poderão ingressar no país sem visto prévio, com credenciamento emitido à chegada. As companhias aéreas receberam instruções para autorizar o embarque, uma solução prática que desmonta obstáculos logísticos e sinaliza o papel do Paquistão como anfitrião neutro e facilitador.
Do lado norte-americano, a delegação será chefiada pelo vice-presidente JD Vance, acompanhado pelo enviado especial Steve Witkoff e por Jared Kushner, figura próxima ao círculo político de Donald Trump. O próprio ex-presidente declarou-se "muito otimista", afirmando que líderes iranianos "em privado são mais razoáveis". Fontes envolvidas nas conversações indicam que o encontro em Islamabad pode ser apenas o primeiro de vários rounds rumo a um acordo de longo prazo.
Entretanto, paira mistério sobre a presença iraniana na capital paquistanesa. Veículos como o Wall Street Journal noticiaram que o ministro das Relações Exteriores Abbas Araghchi e o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, teriam chegado a Islamabad; Teerã negou oficialmente tais informações. A agência semi-oficial Tasnim classificou a notícia como "completamente falsa". O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Majdi Takht Ravanchi, deixou claro que o Irã acolhe a diplomacia, mas rejeita cessar-fogos que permitam ao adversário rearmar-se e retomar ofensivas — uma rejeição que complica o panorama.
Sobre a substância das negociações, as posições iniciais permanecem distantes. Washington teria preparado um plano em quinze pontos — não divulgado integralmente — que inclui renúncia iraniana a armas nucleares, entrega de urânio altamente enriquecido, redução das capacidades militares de Teerã e reabertura do Estreito de Hormuz. Em contrapartida, o Irã teria circulado uma proposta em dez pontos, cujos termos não foram tornados públicos, representando, na prática, um tabuleiro de negociações em que cada movimento requer cálculo preciso para evitar retrocessos militares e políticos.
Outro elemento de complexidade é o chamado "nó Líbano": as dinâmicas de influência e os vetores de poder regional — incluindo atores proxy — podem transformar qualquer concessão local em efeito dominó que reverbera pelo Levante. Não há presença oficial de delegações israelenses em Islamabad, e fontes apontam para uma atuação discreta da China nos bastidores, aproveitando seus bons laços com o Paquistão para mediar interesses e preservar um equilíbrio entre as grandes potências.
O cenário é, portanto, de alta volatibilidade: o Paquistão montou uma escolta segura ao redor do palco diplomático, mas as peças no tabuleiro permanecem móveis. As próximas horas serão decisivas para avaliar se este encontro marca apenas um gesto simbólico na arquitetura da paz ou o início de um processo de tectônica de poder capaz de redesenhar fronteiras invisíveis da estabilidade regional.