Zelensky ataca estruturas logísticas russas; Moscou prende duas na Crimeia enquanto Pyongyang intensifica laços com Putin

Zelensky ataca estruturas logísticas russas; Crimeia registra prisões por espionagem; Pyongyang aproxima-se de Moscou após tratado de 2024.

Zelensky ataca estruturas logísticas russas; Moscou prende duas na Crimeia enquanto Pyongyang intensifica laços com Putin

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Zelensky ataca estruturas logísticas russas; Moscou prende duas na Crimeia enquanto Pyongyang intensifica laços com Putin

Por Marco Severini — Em um movimento que redesenha, no tabuleiro estratégico, as linhas de frente e de retaguarda, a diplomacia e a guerra se entrelaçam em nova fase de tensão. A ministra dos Negócios Estrangeiros da Coreia do Norte, Choe Son-hui, chegou hoje a Moscou em visita oficial a convite do chanceler russo Sergey Lavrov, informou a agência Yonhap, citando nota do Ministério das Relações Exteriores russo.

A visita, ainda sem programação pública detalhada, integra um processo de aprofundamento das relações entre Pyongyang e Moscou, acelerado após a assinatura, em junho de 2024, do tratado de "parceria estratégica global" entre o líder norte-coreano Kim Jong-un e o presidente russo Vladimir Putin. Acordo que, na prática, relançou uma aliança com pilares militares e logísticos remanescentes da Guerra Fria: desde então, Pyongyang teria enviado cerca de 15.000 militares para apoiar a Rússia na Guerra da Ucrânia e ampliado cooperações bilaterais em múltiplos setores.

Enquanto isso, no teatro ucraniano, a violência se mantém em ritmo elevado. Autoridades ucranianas relataram que ataques russos provocaram 11 mortos e 62 feridos nas últimas 24 horas, com intensificação de raids sobre Odesa e o sul do país. Segundo relatos, as forças russas utilizaram um leque de armamentos: dois mísseis balísticos Iskander‑M, dois mísseis antinavio Oniks, três mísseis guiados Kh‑59/69 e cerca de 90 drones de longo alcance. A Força Aérea ucraniana registrou ataques com mísseis e drones em 19 localidades, apontando a oblast de Odessa como objetivo principal.

Em resposta, o presidente Volodymyr Zelensky comunicou, em mensagem publicada na plataforma X, que operações ucranianas de longo alcance atingiram "três áreas" no território russo, além de zonas temporariamente ocupadas e alvos no mar. Entre os alvos, destacou-se o impacto sobre duas importantes estruturas logísticas nas regiões de Moscou e Tambov, situadas a mais de 500 km e quase 700 km da linha de frente, respectivamente. Segundo Zelensky, essas instalações eram utilizadas pelo agressor para fornecer componentes sujeitos a sanções, destinados à produção de drones e equipamentos de navegação; foi também atingida uma instalação petrolífera. Ataques ucranianos de médio alcance teriam ainda atingido alvos nas águas do Mar de Azov, no Mar Negro e na Crimeia ocupada.

O conjunto de ações revela uma mudança tática e política: deslocar o conflito para os nós logísticos e industriais do adversário é um movimento decisivo no tabuleiro, destinado a degradar cadeias de suprimento críticas e a aumentar o custo de sustentação da campanha russa. É uma tentativa de transformar alicerces aparentemente seguros em pontos de pressão, expondo vulnerabilidades na retaguarda.

Por sua vez, a inteligência russa (FSB) anunciou a prisão de duas mulheres na Crimeia, acusadas de espionagem a favor dos serviços ucranianos. O Centro de Relações Públicas do FSB, citado pela agência TASS, informou que a primeira detida teria sido cúmplice num atentado em 2024 contra o carro de um militar em Sevastopol. A segunda detida, de 34 anos e residente no distrito de Kirovsky, também foi acusada de traição. O anúncio intensifica ainda mais a narrativa de conflito de baixa intensidade e de infiltração que acompanha o confronto convencional.

Do ponto de vista estratégico, registramos hoje dois vetores complementares: o fortalecimento de um eixo Moscou–Pyongyang, que acrescenta mão de obra e recursos à capacidade russa, e a adoção por Kiev de uma doutrina mais proativa de alcance estratégico, visando atingir pontos de apoio longe da linha de frente. São movimentos que, combinados, conduzem a uma tectônica de poder mais complexa e imprevisível, em que alianças e logísticas tornam-se tão decisivas quanto as frentes militares.

Em suma, a semana confirma o redesenho de fronteiras invisíveis entre diplomacia, apoio militar estrangeiro e ataques de longo alcance — em uma sequência de jogadas cuja consequência imediata é a elevação do risco de escalada e o aprofundamento da crise humanitária nas regiões afetadas.