Hezbollah rejeita cessar-fogo mediado pelos EUA e exige retirada total de Israel; capacete azul sérvio morre no sul do Líbano
Hezbollah rejeita cessar‑fogo mediado pelos EUA, exige retirada total de Israel; capacete azul sérvio Milovan Jovanovic foi morto por morteiro no sul do Líbano.
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Hezbollah rejeita cessar-fogo mediado pelos EUA e exige retirada total de Israel; capacete azul sérvio morre no sul do Líbano
Por Marco Severini — Em mais um movimento decisivo no tabuleiro geopolítico do Levante, o grupo xiita Hezbollah comunicou oficialmente a sua recusa ao acordo de cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos entre Libano e Israel. A organização condiciona qualquer trégua aceitável ao retirada total de Israel de todo o território libanês, além de apontar como requisitos essenciais o retorno dos deslocados, a reconstrução das áreas afetadas e a libertação de prisioneiros libaneses.
Segundo comunicado interno e informação passada ao presidente libanês, Joseph Aoun, o movimento filoiraniano não participou das negociações que culminaram na proposta de acordo. Em discurso esperado sobre os acontecimentos recentes, o número dois do Hezbollah, Naim Qassem, classificou os contactos realizados como "vergonhosos", sinalizando um afastamento claro das soluções que não recontemplem as reivindicações máximas do grupo.
Este desacordo ocorre num momento de elevada sensibilidade operacional na região. Ontem um membro das Nações Unidas destacado na Missão Interina das Nações Unidas no Líbano — Unifil — foi gravemente ferido por um tiro de morteiro que atingiu sua posição nas imediações de Marjayoun, no sudeste do país. O militar, posteriormente identificado pelas autoridades sérvias como o sargento‑major Milovan Jovanovic, 37 anos, recebeu atendimento inicial na base da missão e foi transportado de helicóptero para o Centro Médico Universitário de Beirute, onde faleceu nas primeiras horas da manhã.
Dois outros capacetes azuis ficaram feridos e recebem cuidados num centro médico junto à base da Unifil. A missão informou que não há envolvimento de militares italianos entre os impactados e anunciou a instauração de uma investigação para apurar as circunstâncias do incidente, destacando o aumento das trajetórias e impactos registrados no sul do Líbano.
Em nota oficial, a Unifil apelou a todas as partes para que respeitem as obrigações decorrentes do direito internacional, garantam a segurança do pessoal e protejam instalações das Nações Unidas, ressaltando que ataques deliberados contra forças de paz podem constituir graves violações do direito internacional humanitário e possivelmente crimes de guerra, em linha com a Resolução 1701 do Conselho de Segurança.
O Exército de Israel responsabilizou o Hezbollah pelo ataque ao posto da Unifil, afirmando que a análise das trajetórias dos projéteis indica que os morteiros partiram de posições controladas pela organização. Em contrapartida, o Hezbollah reiterou que não reconhece negociações que não atendam às suas condições fundamentais de segurança e soberania territorial.
O quadro descrito não é apenas um incidente isolado; representa um redesenho de fronteiras invisíveis na tectônica de poder do Levante. A recusa do Hezbollah ao acordo mediado pelos EUA transforma o conflito num problema de encaixe estratégico: sem convergência sobre as condições iniciais, a diplomacia corre o risco de ver seus alicerces frágeis erodidos por novos episódios de violência. O caminho para uma solução duradoura permanece bloqueado enquanto as partes não definirem, de forma coordenada e verificável, as condições prévias para um cessar‑fogo operacional e sustentável.