Interrogatório em Sion: Jacques e Jessica Moretti defendem-se no caso do incêndio do Constellation em Crans-Montana

Interrogatório de Jacques e Jessica Moretti em Sion sobre o incêndio no Constellation, Crans-Montana: acusações, falhas de segurança e novo crime imputado.

Interrogatório em Sion: Jacques e Jessica Moretti defendem-se no caso do incêndio do Constellation em Crans-Montana

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Interrogatório em Sion: Jacques e Jessica Moretti defendem-se no caso do incêndio do Constellation em Crans-Montana

Em um dia marcado por tensão e procedimentos formais, iniciou-se em Sion o interrogatório de Jacques e Jessica Moretti, proprietários do clube noturno Constellation, onde 41 jovens perderam a vida na noite de Ano Novo. A sessão, que começou pouco depois das 08h30 na sala do Politécnico, reúne a procuradora-geral adjunta do Cantão de Valais, Catherine Seppey, e mais de 70 advogados das partes civis — uma demonstração, nos termos da diplomacia judiciária, do peso político e social desse processo.

Presente também o advogado Romain Jordan, nomeado pelo governo italiano para constituir a Itália como parte civil. “Hoje aqui represento oficialmente a Itália”, confirmou o causídico, sublinhando a dimensão transnacional das consequências dessa tragédia que redesenha, de modo invisível, eixos de responsabilidade e pressões diplomáticas.

Ao entrar na sala por uma porta secundária, escoltados pela polícia, os Moretti ouviram as acusações e deram suas versões em um confronto direto. Em uma declaração espontânea, ainda no início do interrogatório, Jessica Moretti afirmou: “Contra nós foram ditas apenas muitas falsidades, fomos destruídos”. A empresária declarou disponibilidade para colaborar com as investigações e disse estar arrependida pela agressão sofrida em 12 de fevereiro, quando ambos foram atacados por um grupo de pais de vítimas.

A senhora Moretti informou ter escrito uma carta às famílias das vítimas e reiterou que está disposta a encontrar-se com elas, caso desejem — gesto que, no tabuleiro sensível das relações pós-trágicas, pode ser visto como tentativa de reconstruir alicerces de confiança.

Entre os pontos que advogados de vítimas querem ver esclarecidos estão a gestão operacional da noite do incêndio: por que as portas de segurança estavam fechadas, por que havia apenas um único ponto de entrada e saída, e por que faltou formação adequada aos funcionários. O advogado Fabrizio Ventimiglia, representante de uma jovem ferida, ressaltou também questões econômicas que tangenciam perfis de antirríciclagem. Para Domenico Radice, advogado de parte civil, espera-se um confronto que esclareça a coerência entre as provas documentais e a versão da defesa.

Do lado de representantes de famílias, Sébastien Fanti lembrou que “uma audiência como a de hoje custa aos contribuintes 200 mil francos: precisamos avançar; já se passaram meses e não progredimos”. A queixa pública sobre o ritmo e o custo do processo resume a frustração coletiva diante da busca por respostas e por justiça.

Ao fim do primeiro dia de interrogatório, a Procuradoria do Cantão de Valais comunicou ter imputado também a Jessica Moretti pelo crime de falsidade documental. Segundo informações vazadas, a acusação refere-se a uma fatura de 2015 relativa à compra de espuma fonoabsorvente utilizada no revestimento do teto do estabelecimento — um detalhe que, na cartografia técnica do caso, pode ser determinante para a avaliação do risco e da conformidade das medidas de segurança.

Como analista que observa o desenrolar desse processo com um olhar de tabuleiro, reconheço que cada depoimento, cada documento, é um movimento que pode alterar o equilíbrio entre responsabilidade penal, reparação civil e estabilidade institucional. O desafio agora é traduzir a tectônica de poder e culpa em provas incontroversas — para que se restabeleça, sobre bases sólidas, a confiança pública abalada por uma tragédia que custou 41 vidas.