Irã condiciona reabertura do Estreito de Ormuz: acordo com Omã 'muito próximo', mas EUA devem aceitar exigências
Irã condiciona reabertura do Estreito de Ormuz à aceitação das exigências iranianas pelos EUA; acordo com Omã está próximo, mas insuficiente por si só.
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Irã condiciona reabertura do Estreito de Ormuz: acordo com Omã 'muito próximo', mas EUA devem aceitar exigências
Por Marco Severini — Em um movimento que lembra um lance calculado sobre o tabuleiro da geopolítica, o Irã reafirmou que a reabertura do Estreito de Ormuz depende estritamente da aceitação, por parte dos Estados Unidos, das condições impostas por Teerã. A declaração, de caráter intransigente e estratégica, foi proferida por autoridades iranianas em sequência a negociações em curso com Omã sobre a gestão do corredor marítimo.
O porta-voz do Corpo dos Guardiões da Revolução (IRGC), Hossein Mohebi, sublinhou que a eventual reabertura do Estreito de Ormuz “só ocorrerá se a América aceitar plenamente as condições da República Islâmica”. Mohebi deixou claro que essa disposição é separada dos diálogos bilaterais com Omã, ou seja, o acordo técnico entre Teerã e Mascate não substitui as exigências políticas e de segurança exigidas por Teerã.
Na mesma linha, o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano, Mohammad Baqer Zolqadr, reiterou que o estreito “não será reaberto até que os EUA mudem de atitude”. Para Zolqadr, essa mudança implica o abandono de ameaças, o fim de ações beligerantes contra o Irã e seus aliados — citando especificamente Líbano, Palestina, Iêmen e Iraque —, além do encerramento do bloqueio naval e da retirada de forças navais e aéreas das proximidades iranianas. Ele também exigiu reparações por danos de conflitos passados, a revogação de sanções e a devolução incondicional de ativos congelados do povo iraniano.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, qualificou o entendimento com Omã sobre a gestão do estreito como “muito próximo” de uma definição final, mas enfatizou que tal acordo bilateral por si só não garante a reabertura imediata. Araghchi destacou que a reabertura está atrelada a outras condições, incluindo a compensação por parte dos EUA por alegadas violações de memorandos pré-existentes.
Segundo o chanceler iraniano, antes da retomada das hostilidades com Washington, Teerã vinha aplicando a cláusula 5 do memorando, com uma expectativa de normalização do tráfego dentro de um mês e um retorno a cerca de 60% da normalidade já nas duas primeiras semanas. Araghchi acusou os EUA de tentar estabelecer novas rotas através do Estreito de Ormuz, apesar dos avisos de Teerã.
As negociações com Omã concentram-se, por ora, na criação de uma rota marítima temporária que sirva de base para uma via permanente subsequente. Fontes oficiais indicaram que as conversações envolveram componentes militares e navais de ambos os países, evidenciando o caráter de segurança do acordo.
Uma autoridade dos EUA disse à Reuters que, se o acordo entre Irã e Omã permitir a continuidade do comércio sem entraves, Washington poderia revogar o bloqueio aos portos iranianos. Paralelamente, a Abu Dhabi National Oil Company (ADNOC) comunicou que um míssil atingiu uma de suas embarcações, um incidente que acrescenta tensão à já frágil arquitetura da segurança marítima na região.
Em síntese, assistimos a um momento de tectônica de poder: um acordo técnico entre Teerã e Mascate aproxima-se de uma forma final, mas os EUA permanecem a peça-chave para a reabertura efetiva do Estreito de Ormuz. É um claro exemplo de como as condições políticas e os alicerces diplomáticos determinam os rumos de importantes corredores comerciais, num jogo de xadrez em que cada movimento pode redesenhar fronteiras invisíveis de influência.