Irã e EUA acertam desbloqueio de US$12 bilhões; Ghalibaf anuncia acordo após negociações na Suíça
Ghalibaf anuncia acordo Irã-EUA para desbloquear US$12 bi; formados quatro grupos técnicos na Suíça e prazo de 60 dias para um acordo final.
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Irã e EUA acertam desbloqueio de US$12 bilhões; Ghalibaf anuncia acordo após negociações na Suíça
Por Marco Severini - Espresso Italia
O chefe da delegação iraniana, Mohammad Bagher Ghalibaf, anunciou que foi alcançada uma intesa com os EUA para o desbloqueio de US$ 12 bilhões de ativos iranianos congelados. Segundo as declarações oficiais, os recursos seriam liberados em duas parcelas de US$ 6 bilhões cada, como consequência imediata das conversações técnicas realizadas em Bürgenstock, na Suíça.
Paralelamente ao anúncio financeiro, os interlocutores confirmaram a criação de quatro grupos de trabalho especializados: o Grupo para a revogação das sanções, o Grupo sobre questões nucleares, o Grupo dedicado à reconstrução e desenvolvimento econômico e um Grupo para monitoramento e implementação do acordo. As consultas técnicas, mediadas pelo Qatar e pelo Paquistão, deverão prosseguir ao longo da semana com o objetivo declarado de alcançar um acordo final em 60 dias.
Em paralelo, os Estados Unidos decidiram suspender por 60 dias — até 21 de agosto — as sanções que restringiam as exportações de petróleo iraniano, autorizando produção, entrega e venda de crude conforme o memorando pactuado pelas partes. A suspensão temporária busca criar margem operacional para que as equipes técnicas transformem entendimentos preliminares em compromissos verificáveis.
Fontes participantes das negociações relataram que o representante norte-americano Vance afirmou que Teerã aceitou inspeções da AIEA. Do lado iraniano, Ghalibaf sublinhou que a gestão do Estreito de Hormuz terá uma configuração diferente da anterior ao conflito: "Naturalmente as normas internacionais serão respeitadas, mas será o Irã a gerir o Estreito de Hormuz", disse ele em tom categórico, segundo agências estatais.
Outro membro da delegação iraniana, Abbas Araghchi, relatou "progressos significativos" quanto à possibilidade de estabilizar zonas de conflito vizinhas, incluindo passos importantes para uma possível paz no Líbano. Entre as medidas previstas na roadmap figura também a criação de uma linha de comunicação para evitar incidentes no Estreito de Hormuz e garantir a passagem segura de navios comerciais.
Do ponto de vista geoestratégico, trata-se de um movimento cuidadoso no tabuleiro de poder: a liberação controlada de fundos e a suspensão temporária de sanções representam um mecanismo de confiança calibrado, onde ambos os lados preservam opções enquanto testam compromissos. Para Washington, a manobra reduz tensões imediatas no mercado energético e abre canais de verificação; para Teerã, constitui alívio econômico e uma reafirmação de influência sobre um corredor marítimo vital. É um redesenho de fronteiras invisíveis — um novo equilíbrio construído tijolo a tijolo, com alicerces ainda frágeis.
As próximas semanas serão decisivas. Os quatro grupos técnicos funcionarão como peças numa combinação estratégica: se as conferências resultarem em mecanismos robustos de verificação e garantias recíprocas, a chamada "tectônica de poder" regional poderá deslocar-se para um patamar de menor risco de escalada. Caso contrário, as medidas temporárias — incluindo a suspensão das sanções — poderão ser revertidas, e o tabuleiro voltar a uma configuração de confrontação.
Em suma, o acordo preliminar divulgado por Ghalibaf e as decisões anunciadas por Washington abrem uma janela de oportunidade diplomática, que exigirá paciência, verificação técnica e uma leitura precisa das intenções estratégicas de cada ator.