Irã e EUA próximos a memorando, mas Israel ameaça escalada: 'Ainda há alvos a atingir', diz chefe militar

Irã hesita sobre memorando de 14 pontos com os EUA enquanto Israel diz ter novos alvos prontos; tensão aumentada após ataque ao cargueiro CGM San Antonio.

Irã e EUA próximos a memorando, mas Israel ameaça escalada: 'Ainda há alvos a atingir', diz chefe militar

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Irã e EUA próximos a memorando, mas Israel ameaça escalada: 'Ainda há alvos a atingir', diz chefe militar

Por Marco Severini — A negociação de um memorando em 14 pontos entre Estados Unidos e Irã entrou em uma fase de avaliações delicadas em Teerã. Segundo relatos da imprensa iraniana, e reproduzidos pela agência Tasnim, o governo iraniano permanece hesitante diante da proposta norte-americana — elaborada, segundo as fontes, pelos emissários Steve Witkoff e Jared Kushner — porque várias cláusulas seriam consideradas inaceitáveis.

O desenho do acordo prevê, nas linhas centrais, a suspensão do enriquecimento de urânio por um período de 12 anos, a abertura a inspeções sistemáticas dos programas nucleares iranianos e, em contrapartida, a revogação de sanções norte-americanas e a devolução de bens iranianos congelados. A proposta, segundo interlocutores, foi apresentada como uma via prática para encerrar as hostilidades em curso na região.

No entanto, enquanto Washington e Teerã calibram os termos, Israel atua como fator de fricção: Eyal Zamir, chefe de Estado‑Maior do Exército israelense, afirmou durante visita a tropas nos territórios libaneses ocupados que as Forças Armadas de Israel mantêm "outra série de alvos prontos para ataque" em território iraniano. A declaração, proferida em tom de alerta estratégico, sublinha a vontade de Jerusalém de preservar espaço operacional independente — uma peça importante na tectônica de poder regional.

Zamir acrescentou estar em "estado de máxima alerta" para retomar uma campanha "poderosa e extensa" destinada, segundo ele, a enfraquecer o regime iraniano e aproveitar uma oportunidade histórica para redesenhar a realidade regional. Tal postura demonstra a desconexão entre os objetivos de política externa de Washington e as prioridades militares de Jerusalém, um desalinhamento que complica qualquer saída negociada do conflito.

Fontes israelenses também relataram surpresa diante da possibilidade de um entendimento entre o presidente Trump e Teerã, chegando a afirmar que Israel não teria sido informado sobre a proximidade de um acordo — um elemento que evidencia as fragilidades diplomáticas entre aliados de longa data.

A tensão regional soma-se a incidentes no campo naval: o cargueiro francês CGM San Antonio foi atingido por um projétil desconhecido próximo a Dubai, no Estreito de Hormuz, ferindo membros de sua tripulação — episódio que amplia o risco de escalada ao longo das rotas marítimas estratégicas e introduz um componente comercial e logístico ao tabuleiro já complexo.

Do ponto de vista estratégico, o cenário atual apresenta-se como um tabuleiro de xadrez em que cada movimento de negociação é acompanhado por ameaças militares explícitas. A hesitação de Teerã revela a sensibilidade das concessões exigidas; a determinação israelense, por sua vez, mostra que mesmo um eventual acordo pode manter chamas latentes prontas a reacender o conflito. O equilíbrio entre diplomacia e poder permanece, enfim, sobre alicerces frágeis — e qualquer descompasso entre aliados pode transformar uma oportunidade de paz em novo capítulo de confronto.