Irã e EUA acertam rascunho de memorando de 60 dias; Estreito de Ormuz seria reaberto sem pedágios
Rascunho entre Irã e EUA prevê MoU de 60 dias: Ormuz reaberto, sanções condicionais e negociações sobre programa nuclear.
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Irã e EUA acertam rascunho de memorando de 60 dias; Estreito de Ormuz seria reaberto sem pedágios
Por Marco Severini, Espresso Italia
Fontes diplomáticas e relatos da imprensa apontam para um movimento decisivo no tabuleiro da tensão no Golfo: um rascunho de memorando de entendimento (MoU) entre Irã e EUA prevê uma trégua operacional de 60 dias, prorrogável por mútuo acordo, com medidas concretas destinadas a reduzir o risco de escalada e a restabelecer rotas comerciais essenciais.
Segundo informações apuradas por Axios e confirmadas por funcionários familiarizados com as negociações, durante os 60 dias o Estreito de Ormuz seria reaberto ao tráfego sem a cobrança de pedágios, e o Irã se comprometeria a limpar a passagem de eventuais minas marítimas e a não promover interrupções ao trânsito comercial. Em contrapartida, os EUA aceitariam revogar o bloqueio de portos iranianos e concederiam exceções temporárias às sanções para permitir que o petróleo iraniano volte a ser negociado.
Há, porém, distinções claras entre os desejos imediatos de Teerã e a postura de Washington: o Irã pleiteava o desbloqueio imediato de recursos e a retirada permanente das sanções, enquanto os EUA condicionam tais ações a concessões verificáveis e etapas concretas a serem implementadas durante o período de 60 dias. Essas cláusulas revelam a busca por garantias e mecanismos de verificação — os alicerces frágeis da diplomacia quando tratam de interesses estratégicos.
O nó mais complexo permanece o capítulo nuclear. O texto preliminar do MoU incluiria um compromisso do Irã de não perseguir armas nucleares, de negociar a suspensão de seu programa de enriquecimento de urânio e de formalizar a remoção das reservas de urânio altamente enriquecido. Fontes indicam que Teerã já apresentou, via mediadores, compromissos verbais acerca da extensão das concessões que estaria disposto a aceitar nessa área sensível.
Os EUA aceitariam negociar a revogação de sanções e o desbloqueio de fundos iranianos ao longo do período de 60 dias, mas essas medidas só seriam aplicadas na sequência de um acordo final cuja implementação fosse passível de verificação robusta. Enquanto isso, as forças americanas mobilizadas na região permaneceriam por 60 dias, com retirada condicionada à conclusão de um pacto definitivo — um movimento típico de quem mantém peças estratégicas no tabuleiro até que a arquitetura do acordo esteja consolidada.
O rascunho também aborda a dinâmica entre Israel e o Líbano: prevê-se o fim do conflito entre Israel e o Hezbollah. O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu já manifestou reservas sobre essa condição em conversa com o presidente Donald Trump, segundo fontes israelenses. Ainda assim, o texto permitiria a Israel agir preventivamente caso o Hezbollah tente rearmar-se ou provoque novas agressões.
Em suma, estamos diante de um desenho de compromisso temporário — um redesenho de fronteiras invisíveis na tensão regional — que tenta reconciliar urgências comerciais, segurança marítima e o contencioso nuclear. O resultado final dependerá da habilidade das partes em transformar compromissos verbais em garantias verificáveis: um xeque-mate diplomático só será possível se as peças continuarem a mover-se de forma coordenada e transparente.