Irã: Estreito de Hormuz reaberto sob controle iraniano; AIEA não visitará sítios nucleares atacados

Irã anuncia reabertura do Estreito de Hormuz e rejeita inspeções da AIEA em sítios atacados; fundos congelados serão usados livremente.

Irã: Estreito de Hormuz reaberto sob controle iraniano; AIEA não visitará sítios nucleares atacados

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Irã: Estreito de Hormuz reaberto sob controle iraniano; AIEA não visitará sítios nucleares atacados

Por Marco Severini — Em um movimento que reconfigura, ainda que temporariamente, linhas de circulação e influência no Golfo Pérsico, o Irã afirmou que o Estreito de Hormuz está "completamente aberto" ao tráfego comercial, em conformidade com um acordo preliminar com os Estados Unidos. A declaração foi feita pelo embaixador iraniano junto às Nações Unidas em Genebra, Ali Bahrain, que garantiu também que as embarcações não serão obrigadas a pagar pelo uso da rota por um período de ao menos sessenta dias. O que ocorrerá após esse intervalo dependerá do desfecho das negociações em curso.

Dados da plataforma Kpler indicam que pelo menos 35 navios cargueiros transitaram pelo estreito na segunda-feira — número recorde desde o início do conflito — mas o volume permanece sensivelmente reduzido: cerca de um terço do fluxo pré-conflito, quando aproximadamente 120 embarcações cruzavam a via diariamente. Este contraste ilustra, em termos de cartografia comercial, o lento restabelecimento de rotas vitais sob alicerces ainda frágeis.

No mesmo compasso, a República Islâmica fez questão de reafirmar limites claros nos capítulos mais sensíveis da crise nuclear. Segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei, o país não permitirá que inspetores da AIEA (Agência Internacional para a Energia Atômica) acessem os sítios nucleares que foram atingidos por ataques atribuídos a Estados Unidos e Israel durante a guerra. Baghaei declarou, em conferência de imprensa em Teerã, que a delegação iraniana na Suíça não chegou a se encontrar com o diretor-geral da agência, Rafael Grossi, no mais recente ciclo de negociações, e que não existe um "calendário preciso" para futuras inspeções nucleares.

Sobre recursos financeiros, o porta-voz sublinhou que os fundos congelados do país, recentemente desbloqueados, serão utilizados "em absoluta liberdade". A declaração surge em resposta a sugestões do presidente Donald Trump de que tais ativos deveriam servir exclusivamente para a compra de produtos agrícolas americanos. Baghaei criticou essa visão, afirmando que havia uma intenção de transformar a crise em ganhos para interesses agrícolas dos EUA e evocou acusações mais amplas sobre os objetivos estratégicos da campanha contra o Irã.

Por fim, Baghaei tratou das dinâmicas regionais: afirmou que acordos definitivos entre Israel e o Líbano serão alcançados nos próximos dias e repetiu críticas aos ataques de Israel contra o território libanês. Classificou a guerra entre Israel e o Hezbollah como "questão muito complexa", com a expectativa de que entendimentos práticos emergirão a curto prazo.

Do ponto de vista estratégico, o anúncio combinado — reabertura controlada do estreito e recusa a inspeções em sítios atingidos — configura um movimento calculado no tabuleiro regional: ao garantir passagem comercial imediata, o Irã procura reduzir custos econômicos e pressão internacional, ao mesmo tempo que preserva espaços de soberania e recusa concessões no domínio nuclear. É um equilíbrio delicado entre a necessidade de reduzir atritos comerciais e a manutenção de alicerces firmes na diplomacia nacional, uma tectônica de poder que seguirá sendo testada nas próximas semanas.