Irã e Omã avançam para a fase final das negociações sobre o Estreito de Hormuz; memorando com os EUA no centro

Irã e Omã fecham negociações sobre o Estreito de Hormuz; memorando com os EUA é pilar para garantir liberdade de navegação e estabilidade regional.

Irã e Omã avançam para a fase final das negociações sobre o Estreito de Hormuz; memorando com os EUA no centro

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Irã e Omã avançam para a fase final das negociações sobre o Estreito de Hormuz; memorando com os EUA no centro

Por Marco Severini — As negociações bilaterais entre Irã e Omã sobre a gestão do Estreito de Hormuz ingressaram nas "fases finais", anunciou o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, em mensagem publicada no Telegram. O movimento configura um ajuste estratégico no tabuleiro regional, onde cada peça diplomática pode redesenhar linhas de influência e rotas críticas de energia.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Teerã, Esmail Baqaei, reiterou que o Estreito de Hormuz "não voltará jamais à situação pré-bélica", segundo a agência Fars. Baqaei acrescentou que as conversações não se tratam meramente de abrir ou fechar a passagem — uma interpretação, disse ele, que ignora o que Teerã classifica como "sabotagem estadunidense" e o bloqueio naval imposto ao país.

Segundo o porta-voz, os diálogos com Omã são estritamente bilaterais e visam estabelecer um mecanismo capaz de proteger "os nossos interesses". "A República Islâmica do Irã age de acordo com os interesses e preocupações do país e não alterará sua decisão sob influência de ameaças ou intimidações", advertiu Baqaei, enfatizando que Teerã não cederá diante de pressão midiática ou coercitiva.

No plano regional, o chefe da diplomacia saudita, Faisal bin Farhan Al Saud, recebeu uma chamada do próprio Araghchi. Segundo a chancelaria de Riad, ambos discutiram os esforços para reduzir tensões e consolidar estabilidade. O ministro saudita ressaltou a disposição de Riad em prosseguir com diálogos regionais destinados a assegurar segurança, estabilidade e interesses comuns dos povos do Golfo.

Paralelamente, o primeiro-ministro e ministro das Relações Exteriores do Catar, Sheikh Mohammed bin Abdulrahman, e o ministro egípcio Badr Abdelatty abordaram por telefone iniciativas para esvaziar a crise. Doha sublinhou a importância de que Estados Unidos e Irã permaneçam engajados no diálogo e cumpram o que foi acordado no memorando de entendimentos, incluindo garantias relativas à liberdade de navegação no Estreito.

O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que o memorando assinado em junho com os Estados Unidos será o eixo das futuras relações exteriores de Teerã. "Devemos empenhar-nos para obrigar o inimigo a respeitar o que foi assinado", escreveu Pezeshkian nas redes sociais, defendendo que a segurança do país, da região e de seus aliados será fortalecida por este pacto.

Do ponto de vista estratégico, trata-se de um movimento decisivo no tabuleiro: consolidar um mecanismo bilateral com Omã enquanto se assegura o cumprimento do memorando com os Estados Unidos representa tentar erguer alicerces mais firmes na frágil arquitetura diplomática do Golfo. O processo, ainda que promissor, permanece vulnerável a choques externos e manobras de atores externos cuja presença naval e política persiste como fator de instabilidade.

Em síntese, Teerã busca institucionalizar garantias sobre a navegação e a segurança do Estreito de Hormuz sem renunciar a suas posições de poder regional. Ao mesmo tempo, interlocuções multilaterais com Arábia Saudita, Catar e Egito indicam que o que está em jogo vai além de um acordo bilateral: é o redesenho de fronteiras invisíveis da influência no coração do transporte energético mundial.