Israel admite falha na gestão do acesso ao Santo Sepulcro e garante acordo para celebrações limitadas da Páscoa

Israel admite falha na gestão do fechamento do Santo Sepulcro e acerta formato limitado para celebrações da Páscoa, dizem autoridades.

Israel admite falha na gestão do acesso ao Santo Sepulcro e garante acordo para celebrações limitadas da Páscoa

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Israel admite falha na gestão do acesso ao Santo Sepulcro e garante acordo para celebrações limitadas da Páscoa

Por Marco Severini — Em um gesto raro de autocrítica diplomática, o embaixador de Israel na Itália, Jonathan Peled, reconheceu que a proibição de acesso ao Santo Sepulcro imposta às autoridades no domingo, 29 de março — dia das celebrações da Domingo de Ramos — poderia ter sido "gerida muito melhor". A declaração foi dada em entrevista ao canal Sky Tg 24 e revela tanto a tensão da atual conjuntura de segurança em Jerusalém quanto a busca por um modus vivendi que preserve a liberdade de culto sem negligenciar a proteção de vidas.

Peled explicou que a parte sagrada da cidade foi temporariamente fechada para todos devido a ataques com mísseis e ressaltou que, apesar do entendimento mútuo entre as partes, houve falhas de comunicação: "teríamos podido gerir melhor, por parte nossa, do patriarca e do governo italiano". Ao ser lembrado de que o episódio é historicamente excepcional, o embaixador contrapôs que o que é verdadeiramente sem precedentes é que lançamentos de mísseis atinjam a cidade santa.

Segundo o embaixador, alcançou-se um acordo para um formato que permita ao patriarca latino, Pierbattista Pizzaballa, e à comunidade cristã celebrar a Páscoa de forma limitada e segura. Peled descreveu o gesto do patriarca — que, mesmo informado da proibição, tentou entrar no Santo Sepulcro — como fruto de um "mal-entendido" bilateral. Houve, acrescentou, uma reação considerada "um pouco exagerada" por parte das autoridades, acompanhada, no entanto, por reiterados sinais de respeito do Estado de Israel para com o patriarcado e pela importância atribuída às relações com a Santa Sé.

A polícia israelense informou, através de um post na plataforma X, que, após um "encontro profícuo" com o cardeal Pizzaballa, foi definido um quadro de referência compartilhado para as próximas celebrações pascais. Assim, foram autorizadas cerimônias em forma simbólica e limitada, incluindo a tradicional celebração do Santo Fogo. A corporação sublinhou que o acordado visa conciliar a manutenção da liberdade de culto com o dever primordial de proteção da vida humana, lembrando que nos últimos dias mísseis e destroços iranianos atingiram a Cidade Velha.

Do lado religioso, o Patriarcado Latino de Jerusalém e a Custódia da Terra Santa confirmaram, em nota conjunta, que as questões relativas às celebrações da Semana Santa e da Páscoa no Santo Sepulcro foram tratadas e resolvidas em coordenação com as autoridades competentes, garantindo o acesso para representantes das comunidades cristãs dentro do acordo estabelecido.

Na análise que proponho, esse episódio configura um movimento decisivo no tabuleiro diplomático: sinais de tensão e de segurança real desafiam os alicerces frágeis da convivência religiosa em Jerusalém, exigindo jogadas calibradas entre Estados, instituições religiosas e atores locais. O resultado prático — um acordo que permite celebrações limitadas — revela a capacidade, ainda que tensa, de encontrar soluções pragmáticas quando o risco imediato impõe a preservação da vida como prioridade. A diplomacia, como no mais metódico jogo de xadrez, mostra-se menos de bravatas e mais de ajustes finos: proteger o culto sem desproteger as pessoas.