Israel avalia recrutar 12 mil mercenários e criar uma «Legião Estrangeira» nas Forças Armadas
Israel avalia recrutar 12 mil mercenários e criar uma 'Legião estrangeira' para suprir déficit de tropas diante de múltiplos fronts.
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Israel avalia recrutar 12 mil mercenários e criar uma «Legião Estrangeira» nas Forças Armadas
Por Marco Severini, Espresso Italia — Em um momento de tensão prolongada e com múltiplos fronts ativos, Israel estaria considerando medidas extraordinárias para sustentar a operacionalidade de suas forças armadas. Fontes próximas ao alto comando revelam que a IDF enfrenta um déficit significativo de efetivos e estuda o recrutamento de até 12 mil mercenários estrangeiros para constituir uma espécie de "Legião estrangeira israelense" integrada à estrutura regular do exército.
A proposta, atribuída ao economista e ex-alto funcionário Shlomo Maoz, prevê a formação de quatro brigadas sob comando israelense, compostas por veteranos e ex-oficiais — sobretudo da Europa Oriental e da América Latina — com remunerações estimadas entre 8.000 e 10.000 dólares mensais. Segundo Maoz, essa medida surge como uma resposta à crescente escassez de pessoal e ao processo de recusa ao serviço por parte de setores ultraortodoxos.
O chefe do Estado‑Maior, Eyal Zamir, já alertou para uma lacuna de efetivo na ordem de 15 mil soldados, incluindo cerca de 9.000 combatentes. Em suas declarações públicas, Zamir advertiu que, sem medidas eficazes, o exército corre o risco de «colapsar» em múltiplos fronts — de Gaza ao Líbano, da Cisjordânia à Síria — onde Israel mantém operações continuadas.
Parte do material que sustenta a ideia de Maoz observou a existência do programa dos chamados «soldados solitários», que envolveria mais de 7.300 combatentes estrangeiros ou cidadãos israelenses sem família no país. Informações indicam que quase metade desses participantes atuaria, na prática, como força retribuída oriunda dos Estados Unidos, França, Ucrânia, Itália, Espanha, Alemanha, Canadá e Reino Unido.
Do ponto de vista institucional, a proposta se insere num contexto interno profundamente litigioso. A recusa à conscrição por parte de setores ultraortodoxos já levou a uma crise política que ameaça a estabilidade da coalizão governamental de Benjamin Netanyahu, com debates na Knesset que tocam até a possibilidade de dissolução do parlamento.
Em termos legais e diplomáticos, a criação de uma força remunerada com combatentes estrangeiros suscita questões sensíveis. A diferenciação entre voluntários estrangeiros, mercenários segundo convenções internacionais, e combatentes incorporados ao quadro regular do Exército é juridicamente complexa. Haverá inevitavelmente repercussões no tabuleiro diplomático: Estados de origem desses recrutas poderiam ser chamados a esclarecer vínculos, enquanto adversários e atores regionais buscarão explorar a iniciativa como argumento contra a legitimidade das operações.
Estratégica e simbolicamente, a iniciativa revela um redesenho dos alicerces da política de defesa israelense — um movimento decisivo no tabuleiro que, se levado adiante, alterará a tectônica de poder local e as linhas de interação entre Tel Aviv e suas diásporas. A alternativa, estendida por Maoz, aponta para uma solução «não convencional» que privilegiaria ex-combatentes experientes em detrimento do aporte interno tradicional.
Na perspectiva de segurança, a medida teria eficácia imediata em termos de capacidade de combate; mas seus efeitos secundários sobre legitimidade política, alinhamentos internacionais e moral das tropas não podem ser subestimados. A transformação de voluntários internacionais em brigadas permanentes sob comando israelense faria ruir distinções que, até agora, eram parte do arcabouço de defesa: voluntariado, integração e lealdade institucional.
Como analista, observo que qualquer avanço nessa direção exigirá cálculos precisos — jurídicos, logísticos e diplomáticos — e que as consequências serão sentidas para além dos campos de batalha, na reconstrução das narrativas políticas internas e na arquitetura regional de influência. Um movimento desse porte é, em essência, uma jogada de alto risco no grande tabuleiro do Oriente Médio.