Liderança feminina e I.A.: a criatividade como motor para novas lideranças globais

No Circolo degli Esteri, DID debate como a criatividade e a I.A. moldam lideranças inclusivas e inovadoras para desafios globais.

Liderança feminina e I.A.: a criatividade como motor para novas lideranças globais

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Liderança feminina e I.A.: a criatividade como motor para novas lideranças globais

Por Marco Severini — Em Roma, no Circolo degli Esteri, a Associazione Donne Italiane Diplomatiche e Dirigenti (DID) promoveu uma reflexão interdisciplinar sobre como converter criatividade em instrumentos tangíveis de transformação social e econômica. O encontro, agendado na data mundial da Criatividade e da Inovação — instituída pela ONU em 2017 em convergência simbólica com o nascimento de Leonardo da Vinci — constituiu um convite a repensar modelos de liderança que respondam aos desafios contemporâneos.

Serena Lippi, diplomata e presidente da DID, definiu o evento como mais que um mero fórum: foi uma sessão de trabalho e inspiração destinada a traduzir boas práticas e ideias em resultados concretos. Nas suas palavras, tratou‑se de um exercício de motivação para redesenhar os alicerces da condução institucional, partindo dos modelos considerados mais virtuosos.

Carlo Lo Cascio, vicesegretário geral da Farnesina, sintetizou o ponto central do debate: é necessário “construir modelos de liderança que integrem inclusão, inovação e visão estratégica”, aptos a operar num tempo em que novas competências e linguagens são exigidas para mover peças decisivas no tabuleiro global. Para Lo Cascio, uma liderança equilibrada amplia a capacidade de leitura dos fenômenos contemporâneos e de enfrentamento dos problemas complexos — e, no ministério, essa perspectiva inclusiva já é prática corrente.

O painel, moderado por Rita Lofano, diretora da AGI, colocou questões centrais como: por que inovar? Em que medida a liderança feminina difere da masculina? A inteligência artificial (I.A.) tem viés de género? Respondendo, representantes do mundo empresarial, da pesquisa, da administração pública e da defesa partilharam experiências e lições aprendidas.

Da perspectiva empresarial, Maria Francesca Aceti, CEO da Deltha Pharma, recordou que uma liderança autêntica beneficia primeiramente as pessoas e, então, a performance coletiva. Gianna Martinengo, presidente da DKTS e fundadora do Women&Tech ETS, acentuou que a inovação produzida por líderes autênticos não mira apenas a concorrência, mas procura antecipar movimentos — uma postura estratégica típica de um jogador que visa o xeque‑mate antes do adversário.

Integraram o diálogo vozes das ciências e da cultura: a astrofísica Francesca Panessa (INAF), Maria Cristina Pisani (Observatório Nacional para a Paridade de Gênero e ex‑consultora da Presidência do Conselho), Blerina Sinaimeri (professora de I.A. e Decision Sciences na LUISS) e Guendalina Middei, conhecida como 'Professor X' pelo seu trabalho de aproximação dos jovens aos clássicos. A presença de representantes da defesa e da administração pública confirmou a natureza transversal da discussão.

Da minha perspectiva, como analista de geopolítica, este tipo de iniciativa funciona como um exercício cartográfico: redesenha fronteiras invisíveis entre setores e acelera a tectônica das competências. A ênfase na criatividade e na inclusão não é retórica; é um cálculo estratégico. Em um tabuleiro em que a tecnologia redesenha linhas de poder, promover lideranças que sintetizem sensibilidade social, visão tecnológica e coragem política equivale a colocar as peças certas nas casas certas — antes que o adversário mova a sua torre.

Ao final, ficou claro que promover novos modelos de liderança é tarefa que exige políticas de longo prazo, treino cultural e instrumentos práticos — desde capacitação em I.A. até práticas institucionais que garantam pluralidade de vozes. A DID ofereceu, assim, um roteiro pragmático: cultivar a criatividade como recurso estratégico para uma liderança mais eficaz, inclusiva e resiliente.

Em termos práticos, o convite é para que instituições públicas e privadas construam pontes — arquiteturas de governança que permitam que a inovação não seja apenas um conceito, mas uma infraestrutura cotidiana. Somente assim poderemos traduzir talento e engenho em benefícios concretos para a sociedade e estabilidade no jogo internacional.