Massivo ataque russo a Kiev com uso do míssil Oreshnik: análise e desdobramentos

Massivo ataque russo a Kiev com uso do míssil Oreshnik deixa mortos e feridos; análise geopolítica sobre o novo episódio de escalada.

Massivo ataque russo a Kiev com uso do míssil Oreshnik: análise e desdobramentos

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Massivo ataque russo a Kiev com uso do míssil Oreshnik: análise e desdobramentos

Por Marco Severini — Em um movimento incisivo no tabuleiro da geopolítica, Kiev sofreu na madrugada um ataque russo de larga escala, empregando dezenas de mísseis balísticos, mísseis de cruzeiro e drones. As autoridades ucranianas reportaram ao menos quatro mortos e cerca de 60 feridos, uma demonstração da intensificação da tectônica de poder na região.

O prefeito da capital, Vitali Klitschko, informou que 13 dos feridos foram hospitalizados, dos quais três em estado grave. Jornalistas da AFP em cena relataram sucessivas ondas de explosões que fizeram tremer edifícios e traçantes cortando o céu noturno — indício de defesas antiaéreas em operação. No centro de Kiev ouviram-se ainda disparos de metralhadora, aparentemente para neutralizar drones em voo.

Poucas horas antes, o presidente Volodymyr Zelensky e a embaixada dos EUA em Kiev haviam alertado sobre o risco de um ataque massivo, incluindo o eventual emprego do míssil Oreshnik. O Exército ucraniano qualificou a ofensiva como "massiva", apontando para o uso combinado de múltiplos sistemas de armas. O alerta aéreo foi estendido a todo o território ucraniano.

Segundo Klitschko, uma escola no bairro Shevchenkivsky foi atingida; em outro ataque, escombros bloquearam a entrada de um abrigo onde se encontravam moradores. No interior do país, bombardeios causaram ao menos sete feridos na região de Dnipropetrovsk e 11 na região de Cherkasy.

O contexto estratégico é direto: Moscou havia prometido resposta ao ataque ucraniano que atingiu instalações escolares em Starobilsk, na ocupada região de Lugansk — episódio que, segundo autoridades russas, provocou 18 mortos e mais de 40 feridos; Kiev nega ter mirado civis e afirma ter atacado uma unidade russa de drones. Em discurso e movimentação, percebe-se um redesenho de fronteiras invisíveis e uma escalada calculada.

Importante sublinhar que a Rússia já empregou o míssil Oreshnik em duas ocasiões desde 2022 — em novembro de 2024 contra uma fábrica militar e em janeiro de 2026 contra um complexo aeronáutico no oeste ucraniano — sem ogivas nucleares. Recentemente, Moscou posicionou unidades desse sistema na Bielorrússia, aproximando-alas do tabuleiro que toca Polônia, Lituânia, Letônia e a própria Ucrânia.

Do ponto de vista diplomático, trata-se de um movimento que testará os alicerces frágeis da cooperação ocidental. A embaixada dos EUA havia comunicado informações sobre "um potencial ataque aéreo significativo" iminente. Para a população, Zelensky reiterou a necessidade de comportamento responsável e de busca por abrigos ao soar dos alarmes.

Como analista, vejo este episódio como um lance deliberado: reforça a capacidade russa de conduzir ataques de precisão estratégica e simultaneamente busca moldar a narrativa e as reações internacionais. Resta observar as respostas político-militares de Kiev e de seus parceiros ocidentais, e quais peças serão movidas no palco da diplomacia e da segurança nos próximos dias.