Noite de ataques sobre Kiev: mísseis e drones russos deixam dezenas de vítimas; bomba ucraniana atinge refinaria Lukoil na Rússia

Ataques a Kiev deixam mortos e feridos; refinaria Lukoil em chamas após ação ucraniana. Pedido urgente por sistemas de defesa aérea e maior pressão sobre a Rússia.

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Noite de ataques sobre Kiev: mísseis e drones russos deixam dezenas de vítimas; bomba ucraniana atinge refinaria Lukoil na Rússia

Por Marco Severini — A noite sobre Kiev foi palco de um movimento decisivo no tabuleiro da guerra: um massivo ataque combinado de drones e mísseis atribuído à Rússia atingiu a capital ucraniana, causando, segundo relatos oficiais, pelo menos 13 mortos e 56 feridos. O prefeito Vitali Klitschko, em publicação citada pela Ukrinform, confirmou danos generalizados em várias áreas da cidade e esforços de busca sob escombros em edifícios residenciais.

As autoridades ucranianas informaram que as defesas antiaéreas interceptaram grande parte do assalto: foram lançados 74 mísseis e 496 drones, dos quais 48 mísseis e 476 drones teriam sido neutralizados pela contração aéreas de Kiev. Ainda assim, cerca de 20 prédios residenciais sofreram danos e trabalhos de resgate seguem em busca de sobreviventes.

No front de retaliação ofensiva, fontes ucranianas e a mídia local relatam que uma refinaria da Lukoil em Kstovo, região de Nizhny Novgorod, entrou em chamas após um ataque com drones ucranianos. O complexo, apontado como uma das instalações petrolíferas mais importantes da Rússia e crucial para o abastecimento da região de Moscou, refinaria cerca de 17 milhões de toneladas de petróleo por ano, produzindo combustíveis de aviação, gasolina, diesel e betume.

Em resposta à escalada, o Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia, por meio do ministro Andrii Sybiha, fez um apelo direto e urgente à comunidade internacional: acelerar a entrega de sistemas de defesa aérea. "Não retardem as decisões sobre a defesa aérea para a Ucrânia!", escreveu Sybiha, denunciando que a Rússia vem mirando edificações residenciais e infraestrutura civil, atos que classificou como graves crimes de guerra. O apelo incluiu pedidos por medidas concretas — não apenas condenações verbais — e por aumento da pressão sancionatória.

O presidente Volodymyr Zelensky, em discurso na abertura da presidência irlandesa do Conselho da UE em Dublin, já havia alertado para preparativos russos de uma nova ofensiva massiva, anunciando que retornaria imediatamente à Ucrânia após a cerimônia. No plano estratégico, a dinâmica atual representa um redesenho de fronteiras invisíveis entre capacidade de ataque e capacidade de defesa — uma verdadeira tectônica de poder que testa os limites das cadeias de suprimento militar ocidentais e a vontade política dos parceiros.

Como analista e observador de Realpolitik, devo sublinhar que estamos diante de um duplo problema: a escalada operacional no terreno e a crise de tempo político para equipar a defesa ucraniana. A situação exige respostas com prazos definidos e entregas concretas, sob pena de ver consolidar-se alicerces frágeis da diplomacia que beneficiam iniciativas coercitivas.

Em termos humanitários, os esforços de resgate e assistência às populações urbanas continuam prioritários, enquanto os parceiros internacionais avaliam a profundidade das medidas a tomar. No tabuleiro, cada decisão de envio de sistemas de defesa ou de sanções é uma peça movida cujo impacto reverbera não só na Ucrânia, mas no equilíbrio europeu de longo prazo.