Papa Leone XIV pede aos líderes: depõem as armas e escolham a paz pelo diálogo
Papa Leone XIV pede que líderes depõem armas e escolham a paz pelo diálogo; anuncia vigília de oração em 11 de abril na Basílica de São Pedro.
RESUMO ✦
Sem tempo? A Lili IA resume para você
Papa Leone XIV pede aos líderes: depõem as armas e escolham a paz pelo diálogo
Por Marco Severini — Desde a Loggia central da Basílica de São Pedro, o Papa Leone XIV dirigiu um apelo grave e estratégico aos atores que detêm o poder de guerra: "Quem tem armas nas mãos, que as deponha! Quem tem o poder de desencadear guerras, que escolha a paz — não uma paz imposta pela força, mas uma paz construída pelo diálogo".
Antes da bênção Urbi et Orbi, o Pontífice anunciou ainda uma vigília de orações pela paz para o próximo sábado, 11 de abril, convidando todos a unirem-se a ele na Basílica: "Convido todos a juntarem-se a mim" — uma convocação que ultrapassa o rito e se insere na diplomacia moral do mundo contemporâneo.
No tom sóbrio que marca sua intervenção, Leone XIV retomou uma imagem já evocada por seu predecessor e denunciou uma crescente "globalização da indiferença". Recordou as palavras pronunciadas desta mesma loggia: "Quanta vontade de morte vemos a cada dia nos muitos conflitos que afetam diversas partes do mundo!".
O Papa fez um diagnóstico direto: a sociedade corre o risco de se acostumar com a violência, de normalizá-la. "Não podemos continuar indiferentes! Não podemos nos resignar ao mal!" insistiu. A paz que proclama Jesus, segundo Leone XIV, não consiste apenas em calar as armas, mas em transformar os corações: "Não é a paz que se limita a silenciar armamentos, mas aquela que toca e muda o coração de cada um de nós. Convertemo-nos à paz de Cristo!".
À sombra dessa chamada, o sagrato da Basílica reuniu mais de 50 mil fiéis, presença que confere densidade simbólica ao gesto papal. O Pontífice presidiu a solene celebração pascal da Ressurreição, cujo núcleo litúrgico foi uma homilia sobre a vitória definitiva sobre a morte e a urgência de levar a esperança cristã às dobras mais sombrias da crônica contemporânea.
Ao abrir a celebração, Leone XIV evocou a força do mistério pascal: "A criação inteira resplandece hoje de uma nova luz; da terra se eleva um canto de louvor; nosso coração exulta: Cristo ressuscitou da morte e, com Ele, também nós ressuscitamos para uma vida nova!". Um anúncio que, no dizer do Pontífice, não é mera repetição litúrgica, mas força capaz de abraçar o destino da história e penetrar "os abismos da morte" onde tantas sociedades se sentem ameaçadas.
Consciente das resistências do mundo à mensagem pascal, o Papa reconheceu a dificuldade de acolher essa promessa: "É um anúncio que não é sempre fácil de aceitar; o poder da morte nos ameaça sempre, dentro e fora". Foi um apelo dirigido tanto às consciências individuais quanto às estruturas de poder — um movimento decisivo no tabuleiro da diplomacia moral, que busca redesenhar fronteiras invisíveis da influência e reforçar alicerces frágeis da convivência.
O convite à vigília, a insistência no diálogo e a denúncia da indiferença compõem uma linha de ação que pretende transformar a liturgia em iniciativa pública, lembrando que, na tectônica do poder global, a paz duradoura exige conversão de corações e políticas que prefiram encontrar o outro em vez de dominá-lo.