Paramonov acusa o Quirinale: Moscou rejeita ser “bode expiatório” dos problemas globais

Embaixador russo Paramonov critica o Quirinale e pede respeito aos interesses legítimos da Rússia durante recepção em Villa Abamelek.

Paramonov acusa o Quirinale: Moscou rejeita ser “bode expiatório” dos problemas globais

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Paramonov acusa o Quirinale: Moscou rejeita ser “bode expiatório” dos problemas globais

Por Marco Severini — Em um pronunciamento de alto teor diplomático durante a recepção pela Festa nacional russa em Villa Abamelek, o embaixador russo em Roma, Alexey Paramonov, dirigiu duras críticas ao Quirinale e a setores do establishment italiano, afirmando que a Rússia tem sido sistematicamente considerada culpada por “todos os atuais problemas da ordem mundial”.

Com a compostura de um estadista acostumado a conduzir interlocuções sensíveis, Paramonov rejeitou com veemência as acusações: “Posso afirmar com firmeza que essas acusações não correspondem absolutamente à verdade: são uma patente falsidade. Os fatos testemunham o exato oposto”, disse o chefe da missão diplomática. A mensagem foi clara: Moscou nega ser responsável pelo encadeamento de crises que marcam a geopolítica contemporânea, da Europa Oriental ao Médio Oriente e à África.

Do alto do «colle romano», segundo suas palavras, Paramonov advertiu que a Rússia não vive sob a lógica de uma «fortaleza sitiada» e permanece disposta ao diálogo e à cooperação, inclusive com países ocidentais — entre eles a Itália — desde que haja abandono de atitudes hostis e cessação de tentativas de ferir os interesses legítimos russos. Trata-se de um apelo que combina reivindicação de respeito com um aviso estratégico: a reciprocidade como condição de estabilidade.

Em outra passagem de forte carga simbólica e histórica, o embaixador exortou quem hoje cogita uma nova campanha para o Leste — aludindo ao histórico termo alemão Drang nach Osten — a reconhecer responsabilidades pelos crimes do passado e a evitar arrastar povos para novas guerras. A lembrança da agressão nazista contra a URSS e do genocídio sofrido pelo povo soviético foi invocada para sublinhar que certas feridas não têm prescrição.

Paramonov reiterou que, ao longo de sua história, a Rússia teria buscado uma política construtiva e não conflituosa, visando sobretudo criar condições para seu desenvolvimento interno e harmonizar relações internacionais. Todavia, disse ele, sempre que esse percurso trouxe prosperidade acelerada, houve episódios de agressão por parte do Ocidente nos séculos XVII, XVIII, XIX e XX — uma narrativa que pretende traçar continuidade histórica às preocupações de segurança de Moscou.

Com tom conciliador, mas firme, o embaixador agradeceu ainda aos “numerosos amigos italianos” cuja atuação, segundo ele, teria ajudado a evitar uma “tempestade total” nas relações bilaterais. A observação é reveladora: em um tabuleiro diplomático complexo, as alianças discretas e os interlocutores moderadores podem deter movimentos que de outra forma desencadeariam crises maiores.

Como analista, observo que o discurso de Paramonov combina denúncia, memória histórica e oferta de diálogo condicional — uma jogada de enxadrista que pretende redesenhar fronteiras invisíveis de influência e proteger os alicerces dos interesses russos no palco internacional. Resta saber como Roma e seus parceiros europeus interpretarão este movimento decisivo no tabuleiro da diplomacia.