Pentágono em alvoroço: dezenas de altos oficiais submetidos a teste do polígrafo após vazamento sobre falta de armas

Pentágono submete 50 altos oficiais a teste do polígrafo após vazamento sobre falta de armas; Hegseth reforça postura dura contra fugas e mídia.

Pentágono em alvoroço: dezenas de altos oficiais submetidos a teste do polígrafo após vazamento sobre falta de armas

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Pentágono em alvoroço: dezenas de altos oficiais submetidos a teste do polígrafo após vazamento sobre falta de armas

Por Marco Severini — Em um movimento que redesenha linhas de confiança dentro do aparelho de defesa dos EUA, o Pentágono fez passar pelo teste do polígrafo ao menos 50 oficiais de alta patente depois de um vazamento que revelou a escassez de armas e munições. A operação, realizada em agosto, não é mera retaliação: é um gesto de poder que visa identificar a fonte das informações que se espalharam pela imprensa sobre a diminuição de interceptores Patriot e de um conjunto mais amplo de equipamentos militares.

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As informações começaram a emergir nas semanas em que a presença norte-americana no teatro do Golfo e a crise com o Irã estavam no epicentro da atenção pública. Em poucos dias, ficou claro que não se tratava apenas de uma lacuna logística num sistema: os relatos apontavam para faltas que poderiam afetar capacidades operacionais. O resultado foi a ira do presidente Donald Trump, que qualificou como "traidores" meios de comunicação que criticaram sua condução dos acontecimentos, e deu impulso a uma varredura interna liderada por quem ocupa o comando do Pentágono.

Fontes informam que entre os convocados ao polígrafo estavam funcionários do US Central Command e comandantes de unidades de combate. Em nota sucinta, o porta-voz do Departamento de Defesa, Sean Parnell, afirmou: "Não comentamos a investigação, mas levamos qualquer vazamento de informações reservadas muito a sério e investigamos. Proteger dados sensíveis é essencial para a segurança dos Estados Unidos e de nossas tropas".

O amplo alcance da investigação marca um precedente: nunca, em tempos modernos, tantos nomes do alto escalão militar foram submetidos ao teste do polígrafo. O episódio espelha uma inquietação institucional — uma espécie de tectônica de poder — que o New York Times descreveu como crescente "paranoia" dentro do Departamento de Defesa. A ação, além de procurar a origem das notícias, funciona como demonstração de controle por parte do secretário que dirige a política interna do Pentágono.

Pete Hegseth, ao visar as fugas de notícias, já vinha adotando postura confrontacional contra a cobertura jornalística sobre a guerra no Irã e contra críticas internas. Em meses recentes, Hegseth levou adiante medidas duras: demitiu três jornalistas da revista militar Stars and Stripes por matérias que relatavam condições a bordo do porta-aviões USS Abraham Lincoln, e promoveu uma cruzada contra o que denominou cultura "woke" dentro das forças, chegando a segurar ou vetar promoções de cerca de 80 generais e almirantes.

Como analista com anos de observação das relações internacionais, vejo neste episódio um movimento decisivo no tabuleiro institucional: não se trata apenas de caçar uma fonte, mas de reafirmar alicerces — e, ao mesmo tempo, de testar a resiliência das relações civis-militares. A pressão por transparência e a necessidade de proteger segredos operacionais compõem um dilema clássico de Estado: segurança ou responsabilidade pública. A resposta do Pentágono, austera e de ampla visibilidade, pode solucionar uma crise imediata, mas também arrisca ampliar linhas de fissura interna se a investigação for percebida como intimidação.

O resultado prático é incerto. No curto prazo, a ordem interna foi reforçada; no médio prazo, resta saber se a estratégia de imposição de disciplina devolverá estabilidade ao sistema ou aprofundará a desconfiança — um problema que, em termos estratégicos, transforma-se numa nova fronteira do poder americano.

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