Peru: disputa apertada entre Keiko Fujimori e Roberto Sanchez define segundo turno presidencial
Peru decide hoje entre Keiko Fujimori e Roberto Sanchez: disputa apertada, segurança, economia e proposta de Assembleia Constituinte em jogo.
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Peru: disputa apertada entre Keiko Fujimori e Roberto Sanchez define segundo turno presidencial
O segundo turno presidencial no Peru coloca hoje nas urnas cerca de 27 milhões de eleitores a escolha definitiva entre Keiko Fujimori, candidata do partido de direita Fuerza Popular, e Roberto Sanchez, representante da esquerda de Juntos por el Perú. A vitória em disputa tão curta será o próximo movimento decisivo no tabuleiro político de um país marcado por instabilidade: oito presidentes nos últimos dez anos.
A primeira volta, realizada em 12 de abril, foi caracterizada por uma apuração lenta e por acusações de irregularidades que ainda ecoam no processo. A persistente fragilidade logística — notadamente o transporte dos registros eleitorais desde zonas remotas até as autoridades centrais — e as complexas vias de recurso administrativa aumentam o temor de opacidade do pleito.
O clima de insegurança pública figura no topo das preocupações dos peruanos: a expansão do crime organizado, com extorsões e assassinatos seletivos, eclipsou a corrupção e o desempenho da economia, que aparecem em segundo e terceiro lugar no ranking de inquietações populares.
Em resposta a esse quadro, Keiko Fujimori — filha do ex-presidente autoritário Alberto Fujimori — recorreu à mobilização massiva de fiscais eleitorais. A candidata, que disputa a presidência pela quarta vez consecutiva, busca recrutar 100.000 observadores com o objetivo declarado de evitar fraudes que, segundo ela, marcaram pleitos passados: "Não poderão fazer conosco a mesma coisa de novo", declarou. Sua plataforma enfatiza segurança, crescimento econômico e programas sociais. Inspirada no presidente salvadorenho Nayib Bukele, propõe dar maiores poderes às Forças Armadas no combate ao crime, além de medidas liberalizantes para atrair investimentos no setor de mineração e criar emprego.
Do outro lado do tabuleiro, Roberto Sanchez, ex-ministro do Comércio Exterior no governo de Pedro Castillo, aposta numa agenda de justiça social e maior intervenção estatal em setores estratégicos como o gás natural e a mineração, com rígida supervisão às grandes corporações. Para Sanchez, a resposta à violência não passa apenas pelo uso da força: é necessário gerar oportunidades econômicas para as populações mais vulneráveis.
Um ponto forte da campanha de Sanchez é a proposta de convocar uma Assembleia Constituinte para substituir a Carta de 1993, promulgada na era de Alberto Fujimori. Em gestos simbólicos, o candidato tem utilizado o sombrero chotano, tradicional chapéu campesino associado ao ex-presidente Castillo, buscando reafirmar laços com o eleitorado rural e indígena.
As pesquisas de intenção de voto mais recentes mostram uma margem ínfima: 50,4% para Fujimori contra 49,6% para Sanchez. Esse equilíbrio sugere que o resultado poderá ser decidido por poucos pontos, abrindo caminho para contestações jurídicas e mobilizações civis.
Do ponto de vista estratégico, trata-se de um movimento de tectônica de poder: uma vitória de Fujimori tenderia a reforçar medidas de segurança e políticas pró-investimento, ao passo que um triunfo de Sanchez promoveria um redesenho institucional e uma reorientação do papel do Estado na economia. Em ambos os cenários, a estabilidade institucional e o equilíbrio entre forças internas e externas estarão em jogo — os alicerces frágeis da diplomacia e da governança peruana serão testados.
O resultado deste segundo turno não será apenas uma alternância de titulares; será um gesto com efeitos regionais sobre o eixo de influência na América Latina, e indicará quais cartas — autoridade militar, regulação econômica ou reformas constitucionais — terão prioridade no próximo capítulo da história política peruana.