Plano de mudança de regime em Cuba: Díaz-Canel resiste enquanto 'Raulito' aparece como alternativa e abertura econômica mira investidores dos EUA
Plano trumpiano para mudança de regime em Cuba: Díaz-Canel resiste, Raúl pode reassumir e abertura econômica mira investidores dos EUA.
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Plano de mudança de regime em Cuba: Díaz-Canel resiste enquanto 'Raulito' aparece como alternativa e abertura econômica mira investidores dos EUA
Por Marco Severini - Espresso Italia
Nos corredores discretos da política internacional desenha-se um movimento de profundidade estratégica sobre a ilha caribenha. Segundo indiscrições colhidas junto a círculos do establishment trumpiano, há um plano articulado para um regime-change em Cuba ainda neste ano, com etapas pensadas tanto no tabuleiro político quanto no econômico.
O núcleo da operação, conforme as fontes, prevê a saída do presidente Miguel Díaz-Canel — pressionado a apresentar sua renúncia — e a reintrodução de Raúl "Raulito" Castro ou de uma figura próxima ao antigo comando como eixo de uma liderança transitória. Essa manobra, na leitura de Washington, serviria para calibrar uma transição que combine controle político e abertura dirigida dos setores econômicos mais sensíveis às demandas de investidores estadunidenses.
Em resposta às pressões públicas do presidente norte-americano — que em declarações recentes chegou a afirmar estar “honrado” em “tomar Cuba” — Díaz-Canel reafirmou sua postura de resistência: em mensagem publicada na plataforma X alertou que qualquer agressor externo encontrará uma "resistência incrollável". O confronto verbal, no entanto, é apenas uma camada de um jogo de maior alcance.
Ao observar o movimento em perspectiva geopolítica, nota-se que a administração americana procura combinar alavancas econômicas e ações de influência para reconfigurar o alinhamento da ilha. A proposta seria promover uma abertura controlada da economia cubana, orientada para permitir a entrada de capitais e empresas dos EUA, transformando gradualmente a ilha em um Estado-cliente com vínculos econômicos estreitos com Washington.
Paralelamente, a crise interna — marcada por frequentes apagões e falhas de abastecimento energético — alimenta o quadro de fragilidade. As causas apontadas por especialistas e por relatos locais incluem a obsolescência de infraestruturas, a insuficiência de insumos e o peso do embargo comercial americano. Fontes não confirmadas acrescentam ainda a hipótese de sabotagens a centrais elétricas, atribuídas por alguns a operações de inteligência da CIA, como parte de uma estratégia para acelerar o colapso das estruturas de apoio ao regime.
Do ponto de vista de estratégia internacional, trata-se de uma movimentação que lembra um lance de xadrez: avançam-se peças econômicas e políticas para enfraquecer a resistência material do adversário antes de se decidir sobre o xeque-mate público. A tectônica de poder no Hemisfério mantém assim um duplo registro — militar e econômico — que visa redesenhar fronteiras de influência sem necessariamente recorrer, em primeiro instante, à confrontação convencional.
É preciso, todavia, separar especulação de evidência. Enquanto parte das informações circula como indiscrições, os sinais políticos são claros: aumento de pressão externa, discurso interno de firmeza e crise estrutural que torna a ilha mais vulnerável a intervenções sofisticadas. A solução final, se houver, dependerá de uma articulação entre atores locais, interesses regionais e a capacidade de Washington de converter objetivos estratégicos em resultados políticos sustentáveis.
Num cenário em que cada movimento altera equilibrios, a paciência e a precisão serão a moeda dos que desenham a nova arquitetura cubana. E como num bom jogo de xadrez, não basta capturar peças: é necessário proteger o rei e assegurar que os alicerces da diplomacia não se desfaçam sob o peso de promessas mal calculadas.


