Putin admite dificuldades e tem 700 mil soldados em campo; Kiev pedirá US$20 bilhões e intensifica ataques com drones
Putin reconhece lentidão das operações e mobiliza 700 mil soldados; Kiev pedirá US$20 bi no encontro de Ramstein e intensifica ataques com drones.
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Putin admite dificuldades e tem 700 mil soldados em campo; Kiev pedirá US$20 bilhões e intensifica ataques com drones
Em discurso durante as celebrações da festa nacional russa, o presidente Vladimir Putin apresentou um balanço numérico e estratégico do conflito na Ucrânia que merece leitura atenta: segundo o Kremlin, há atualmente 700 mil soldados russos empenhados naquela que Moscou continua a chamar de "operação militar especial". É uma força considerável — quase metade dos cerca de 1,5 milhão de efetivos das forças armadas russas — e, pela primeira vez em tom menos triunfal, o presidente admitiu que as operações não estão acontecendo com a rapidez desejada. "A Rússia não está avançando com a rapidez que gostaríamos, mas todo dia avança gradualmente", disse Putin a um grupo de militares.
Do outro lado do tabuleiro, Kiev mantém a política de pressão máxima: nos últimos meses o Exército ucraniano multiplicou ataques contra alvos estratégicos em território russo — refinarias, infraestruturas energéticas e complexos industriais ligados à defesa — e intensificou o uso de drones capazes de atingir profundidade logística e econômica. Entre quinta e sexta-feira recentes, uma onda massiva de centenas de drones obrigou as autoridades russas a tomar medidas drásticas, incluindo o fechamento temporário de oito aeroportos.
O prefeito de Moscou, Serguei Sobianin, reportou que ao menos 14 drones foram abatidos enquanto se dirigiam à capital. Na república do Tartaristão, um aparelho caiu sobre um edifício residencial em Nizhnekamsk, causando quatro feridos. Em reação, Moscou não esconde o risco de escalada: Putin advertiu que a Rússia intensificará ataques contra infraestruturas ucranianas para "desencorajar" os ataques sobre a população civil e sobre instalações críticas.
No plano diplomático-financeiro, a resposta ucraniana é igualmente nítida e calculada. Autoridades de defesa de Kiev informaram — sob condição de anonimato — que será formalizada no dia 18 de junho, durante o encontro dos países do formato Ramstein, um pedido de cerca de US$20 bilhões adicionais aos parceiros ocidentais. A justificativa é direta: a Ucrânia pretende queimar os mecanismos econômicos e logísticos russos e, para tanto, precisa de recursos para manter e ampliar as operações que pressionam o território inimigo.
Há ainda a sombra do armamento estratégico. Fontes militares indicam alta probabilidade, nas próximas 24 horas, de um lançamento de míssil balístico de médio alcance a partir do cosmodromo de Kapustin Yar, na região de Astracã — a mesma base associada aos três lançamentos anteriores do míssil balístico hipersônico denominado Oreshnik. Tratam-se de movimentos que, no vocabulário da geopolítica, reposicionam peças no tabuleiro e podem redesenhar fronteiras invisíveis de dissuasão.
O padrão que emerge é o de duas estratégias complementares e opostas: de um lado, Moscou concentra massa de combate e recorre ao argumento da inevitabilidade do avanço lento; do outro, Kiev aposta na guerra de desgaste sobre centros produtivos e logísticos adversários, buscando capital político e financeiro no Ocidente. Essa dinâmica cria um cenário de tectônica de poder volátil, onde cada movimento — militar, financeiro ou simbólico — pode ter consequências de longo alcance.
Como analista, observo que ambos os lados estão jogando partidas distintas num mesmo tabuleiro: a Rússia aposta em superioridade de massa e capacidade estratégica; a Ucrânia em ataques assimétricos e na ligação entre sucesso militar e fluxo de apoio ocidental. O resultado é uma escalada de riscos que exige ponderação dos aliados e planejamento para evitar que o conflito, por ação ou reação, ultrapasse marcos que tornem a estabilização ainda mais difícil.