Raid em Teerã mata crianças enquanto negociações por tregua de 45 dias ganham impulso

Raid em Teerã mata crianças; EUA e Irã negociam uma tregua de 45 dias para evitar escalada regional.

Raid em Teerã mata crianças enquanto negociações por tregua de 45 dias ganham impulso

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Raid em Teerã mata crianças enquanto negociações por tregua de 45 dias ganham impulso

Por Marco Severini — Em um movimento que revela os alicerces frágeis da diplomacia na região, Estados Unidos e Irã, com a intermediação de terceiros, intensificam esforços para um acordo de tregua de 45 dias, segundo reportagem do site Axios que cita fontes norte-americanas, israelenses e regionais. A iniciativa é vista como um movimento defensivo no tabuleiro geopolítico, uma tentativa de conter uma escalada cujas consequências se estenderiam por toda a tectônica de poder do Golfo.

Fontes consultadas pelo Axios admitem, porém, que a probabilidade de um acordo parcial nas próximas 48 horas é baixa. Ainda assim, entre os atores envolvidos, essa tentativa de trégua aparece como a última oportunidade prática para evitar uma dramática intensificação do conflito — incluindo ataques massivos a infraestruturas civis iranianas e, por sua vez, retaliações teerânicas contra sítios energéticos e redes hídricas dos países do Golfo.

Enquanto as negociações se prolongam, o campo de batalha real permanece ativo. Na madrugada, raids atribuídos a forças israelenses e americanas atingiram alvos na província de Teerã, com relatos de vítimas civis. Agências ligadas ao regime iraniano, citando autoridades locais e a agência Fars, noticiaram uma strage de crianças: entre os mortos estariam quatro meninas e dois meninos com menos de 10 anos. O balanço fornecido pela mídia estatal aponta 17 mortos nos ataques mais recentes.

O episódio mais trágico ocorreu em Ghaleh Mir, na região centro-oriental de Baharestan, onde duas torres residenciais teriam sido atingidas, resultando em 13 vítimas. O governador local informou que equipes de busca continuam a vasculhar os escombros em busca de sobreviventes e de corpos adicionais. A agência Mehr acrescentou que um ataque em área residencial no leste de Teerã deixou quatro mortos e sete feridos, destruiu três moradias e danificou cerca de cinquenta edifícios.

Além do impacto humano, foram reportados danos a infraestruturas estratégicas: instalações energéticas vinculadas à Universidade Sharif, no setor norte-oriental da capital, sofreram danos que provocaram blackouts e interromperam o abastecimento de gás em bairros próximos, segundo a televisão estatal IRIB. Também foi registrada destruição em uma mesquita universitária.

Desde o início do conflito, não há um balanço único e consensual das perdas humanas: o governo de Teerã havia informado, após a primeira semana, de 1.230 mortos em ataques; por outro lado, a ONG Hrana, sediada nos EUA e contrária ao regime, reportou mais de 3.400 fatalidades, das quais cerca de 1.500 seriam civis.

O Exército israelense confirmou a realização de uma série de ataques noturnos contra "alvos do regime" em Teerã. Em resposta, o Comando Militar Central do Irã advertiu, por meio do quartel-general Khatam al-Anbiya à IRIB, que futuras ofensivas contra alvos civis provocariam retaliações "muito mais devastadoras e disseminadas".

O episódio evidencia o frágil equilíbrio entre ação militar e iniciativa diplomática: no grande tabuleiro da região, cada lance militar altera as possibilidades de um acordo político. A trégua proposta, se consolidada, poderia funcionar como um reparo temporário nos alicerces da paz; se fracassar, o risco é o redesenho de fronteiras invisíveis de influência e segurança, com consequências duradouras para países do Golfo e para os interesses internacionais envolvidos.