Reza Pahlavi se declara pronto para liderar um governo de transição no Irã quando a República Islâmica cair
Reza Pahlavi anuncia estar pronto para liderar um 'Sistema de Transição' no Irã e já seleciona membros dentro e fora do país.
RESUMO ✦
Sem tempo? A Lili IA resume para você
Reza Pahlavi se declara pronto para liderar um governo de transição no Irã quando a República Islâmica cair
Por Marco Severini — Em um movimento que reconfigura peças importantes no tabuleiro da dissidência iraniana, Reza Pahlavi, filho do último xá e figura proeminente da oposição no exílio, declarou publicamente estar pronto para comandar um Sistema de Transição assim que a República Islâmica vier a ruir. A declaração, divulgada em seus canais nas redes sociais, combina planejamento estratégico com uma tentativa de oferecer garantias imediatas de ordem e governabilidade.
Residente nos Estados Unidos, Pahlavi informou que já iniciou a seleção criteriosa de quadros — tanto dentro do Irã quanto entre a diáspora — que fariam parte do mecanismo transicional. Segundo ele, o processo de escolha contou com a liderança técnica de Saeed Ghasseminejad, consultor sênior sobre o Irã e economia financeira na Foundation for Defense of Democracies (FDD), think tank americano conhecido por sua postura crítica ao regime iraniano.
“Foram identificados e avaliados indivíduos competentes, tanto no interior quanto no exterior do país, para conduzir as diversas seções do Sistema de Transição”, afirmou Pahlavi. “Sob a minha direção, o sistema estará pronto para assumir o governo do país tão logo a República Islâmica caia e, no menor tempo possível, instaurar ordem, segurança, liberdade e as condições para a prosperidade e crescimento do Irã.”
O anúncio alimenta um processo de realinhamento político que ganhou impulso após os grandes protestos de janeiro contra o aparato clerical, quando parte dos manifestantes chegou a pedir o retorno da monarquia. A visibilidade de Pahlavi cresceu nesse contexto, alavancada ainda por manifestações pró-monarquia realizadas em fevereiro em Munique e em várias cidades da América do Norte — as maiores demonstrações de apoio público registradas até aqui.
No entanto, o plano de Pahlavi encontra limites práticos no tabuleiro internacional. O então presidente dos EUA, Donald Trump, jamais o reconheceu formalmente nem chegou a recebê-lo oficialmente, repetindo dúvidas sobre sua aptidão para governar o país. “Falam do filho do xá, falam de outras pessoas, mas ele está fora dali há muitos anos”, disse Trump recentemente, sublinhando um dos pontos centrais da fragilidade política do projeto.
Há ainda questões de operacionalidade: embora Washington tenha buscado canais alternativos em outras crises regionais — com referências públicas a cenários como o da Venezuela —, a tradução prática de um apoio externo num contexto iraniano, marcado por uma robusta máquina de segurança e uma complexa teia de influências regionais, permanece incerta. O exemplo venezuelano raramente se replica mecanicamente; o tabuleiro iraniano possui alicerces e riscos distintos.
Em termos estratégicos, a proposta de Pahlavi é um movimento ambicioso que tenta antecipar o vácuo de poder e propor uma arquitetura administrativa imediata para o pós-regime. Resta saber se essa iniciativa conseguirá, na prática, aglutinar legitimidade interna suficiente e se obterá o apoio discreto ou aberto de potências externas, sem provocar fraturas geopolíticas que comprometam a estabilidade regional. Em suma: é um lance de alto risco num tabuleiro em que cada peça carrega história, memória e influência.


