Rússia amplia ofensiva: bombardeio a Kiev e ataque ucraniano a refinaria em Omsk antes da cúpula da OTAN
Ataques russos a Kiev reacendem apelos por defesas aéreas; Kiev responde com ataque a refinaria em Omsk e pressão sobre a OTAN em Ancara.
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Rússia amplia ofensiva: bombardeio a Kiev e ataque ucraniano a refinaria em Omsk antes da cúpula da OTAN
Marco Severini — Em um movimento que redesenha, por ora, as linhas do tabuleiro de poder, a Rússia lançou um massivo ataque balístico contra Kiev na véspera da cúpula da OTAN em Ankara. A ofensiva noturna, segundo autoridades ucranianas, resultou em ao menos 14 mortos na região e expôs novamente as fragilidades dos sistemas de defesa aérea de Kiev.
As forças do Kremlin teriam lançado um total de 35 mísseis, incluindo 29 mísseis balísticos Iskander e seis mísseis antinavio do tipo Zircon e Oniks, que segundo relatos não foram interceptados pelos sistemas ucranianos. O presidente Volodymyr Zelensky apontou diretamente para a escassez de interceptadores PAC-3 como fator decisivo que impediu uma reação eficaz.
Em resposta política, Zelensky apelou, com tom urgente e calculado, por “decisões fortes” dos aliados na cúpula da OTAN, defendendo que o reforço das defesas aéreas é uma condição mínima para a proteção de civis. “Enquanto os Patriots permanecerem em depósitos, isso apenas encoraja a Rússia a continuar os bombardeios contra prédios residenciais”, afirmou o presidente ucraniano em publicação nas redes sociais.
Paralelamente à ação russa, a Ucrânia prosseguiu com sua estratégia de projecção de poder em território adversário: um ataque massivo de drones atingiu uma grande refinaria no polo industrial de Omsk, a mais de 2.500 km da fronteira, segundo relato ucraniano. Moscou classificou os alvos ucranianos como instalações de defesa, usinas energéticas e aeroportos militares, além de afirmar ter abatido mais de 500 drones no conjunto das operações.
Em solo russo, o Ministério da Defesa reportou duas mortes civis ligadas a ações ucranianas — uma na região de Belgorod e outra na Crimeia — e registrou apagões em Sebastopol atribuídos a ataques. Do lado ucraniano, as autoridades afirmam que a necessidade imediata é logística e política: o ministro das Relações Exteriores Andriy Sybiga pediu publicamente que estoques de PAC-3 atualmente em depósitos ao redor do mundo sejam realocados para a Ucrânia.
O boletim oficial russo acrescentou que, nas últimas horas, foram empregados ao menos 351 drones e 68 mísseis em ataques contra alvos ucranianos, incluindo aeroportos militares nas regiões de Dnipropetrovsk, Poltava, Cherkasy, Chernihiv e a própria Kiev. Moscou também afirmou ter atingido instalações industriais vinculadas à produção e montagem de drones de reconhecimento – informações que, como sempre em conflitos desta natureza, exigem checagem independente.
Do ponto de vista estratégico, a sequência de ataques e contra-ataques revela uma tectônica de poder em movimento: Kiev busca pressionar o espaço logístico russo para forçar uma resposta política ocidental mais robusta; Moscou, por sua vez, demonstra capacidade de alcance e de intimidação estratégica, testando os alicerces da solidariedade aliada antes da cúpula da OTAN em Ancara.
Em termos práticos, a questão central continua sendo a mesma num tabuleiro de xadrez: quem sacrificará temporariamente peças logísticas e estoques de mísseis para mudar a dinâmica do jogo e endurecer as linhas de defesa? A resposta dos líderes da Aliança, nos próximos dias, poderá redesenhar fronteiras invisíveis de influência e defesa na Europa.
Marco Severini é analista sênior em geopolítica e estratégia internacional para a Espresso Italia.