Tajani parte para a China: missão econômica e apelo por papel de Pequim na paz do Médio Oriente

Tajani viaja à China para reforçar exportações e pedir papel de Pequim na busca de paz no Médio Oriente, combinando diplomacia e negócios.

Tajani parte para a China: missão econômica e apelo por papel de Pequim na paz do Médio Oriente

RESUMO ✦

Sem tempo? A Lili IA resume para você

Gerando resumo com IA...

Tajani parte para a China: missão econômica e apelo por papel de Pequim na paz do Médio Oriente

Por Marco Severini — Enquanto os corredores diplomáticos trabalham para apagar o novo incêndio no Médio Oriente, o ministro das Relações Exteriores, Tajani, prepara-se para uma visita estratégica à China. A viagem combina uma robusta missão econômica e uma tentativa deliberada de solicitar o contributo de Pequim na busca de paz e estabilidade regional — um movimento que revela o redimensionamento das peças no tabuleiro da diplomacia internacional.

O chefe da Farnesina definiu com clareza os dois pilares da sua agenda: uma intensa operação comercial, com encontros com empresas italianas em Pequim e Xangai, e uma oportunidade para debater o papel político de China na resolução da crise no Médio Oriente. Para Roma, a República Popular não é apenas um parceiro estratégico do ponto de vista econômico; é um ator cujo peso pode influenciar a tectônica de poder regional.

Inserida no Plano de Ação para o Export voltado aos mercados extra-UE, a China figura entre as prioridades. É o principal destino das exportações italianas na Ásia-Pacífico (27%) e o primeiro parceiro comercial de Roma no continente. Em 2025, o intercâmbio bilateral aproximou-se de 75 bilhões de euros (alta de 11,2% em relação a 2024), tornando Pequim o segundo fornecedor da Itália e o décimo mercado de destino das exportações italianas, atrás apenas dos EUA entre os países extra-UE.

Roma é consciente do desequilíbrio estrutural na relação: a balança comercial ainda pende a favor de Pequim. O objetivo diplomático e econômico é trabalhar por um reequilíbrio real, removendo barreiras não tarifárias que bloqueiam o acesso de produtos italianos — em particular do setor agroalimentar — ao mercado chinês; reforçando a tutela da propriedade intelectual; eliminando restrições de acesso de empresas estrangeiras a contratos públicos chineses; e melhorando as condições operacionais para companhias estrangeiras na China.

Com a meta ambiciosa de alcançar 700 bilhões de euros em exportações até o final da legislatura, o ministro vê na China um dos principais eixos onde intensificar esforços. Os dados provisórios de 2026 (janeiro-fevereiro) confirmam o dinamismo: intercâmbio de 12,6 bilhões de euros (+8,3% em relação ao mesmo período de 2025), com aumento das importações chinesas (+9,2%) e das exportações italianas (+4,5%). O impulso exportador italiano é puxado sobretudo por moda e por máquinas e aparelhos, seguidos por produtos farmacêuticos, químico-medicinais e outros bens manufaturados.

No programa oficial, Tajani terá um encontro com o ministro do Comércio chinês, Wang Wentao, participará da XVI Comissão Econômica Mista e manterá bilateral com o seu homólogo Wang Yi. Haverá também fóruns com empresários italianos e chineses, representando o Sistema Itália, tanto em Pequim quanto em Xangai. Paralelamente, a diplomacia cultural ocupará espaço como instrumento de construção de confiança.

Este movimento ilustra um pragmatismo cuidado: a Itália não busca confrontos de princípio com Pequim, mas procura redesenhar fronteiras invisíveis na relação econômica, estabelecendo alicerces mais equilibrados para uma parceria que se pretende duradoura. No grande tabuleiro global, a missão de Tajani é simultaneamente uma jogada comercial e um apelo por responsabilidade geopolitica.