Tribunal de Jerusalém barra plano de Ben-Gvir de instalar crocodilos nas prisões de segurança máxima

Tribunal de Jerusalém bloqueia plano de Ben-Gvir para instalar crocodilos em prisões de segurança máxima; ambientalistas e corte suspendem obra e gasto público.

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Tribunal de Jerusalém barra plano de Ben-Gvir de instalar crocodilos nas prisões de segurança máxima

Por Marco Severini — Em mais um movimento que expõe a fricção entre execuivo e Judiciário em Israel, o tribunal distrital de Jerusalém suspendeu a tentativa do ministro da Segurança Nacional, Ben-Gvir, de introduzir crocodilos em penitenciárias de máxima segurança, começando pela prisão de Ketziot.

A proposta, apresentada pelo líder do partido Otzma Yehudit e justificada como medida de combate ao 'terrorismo', ganhou contornos quase simbólicos e de espetáculo político desde o final de 2025. Inspirada no episódio norte-americano do chamado 'Alligator Alcatraz' promovido pelo ex-presidente Donald Trump e encerrado em menos de um ano, a iniciativa de Ben-Gvir chegou a avanar com planejamentos práticos: reportagens, incluindo o Times of Israel, relataram escavações de um fosso ao redor de um setor especial em Ketziot há cerca de dez dias.

Para viabilizar juridicamente a operação, a ministra do Meio Ambiente, Idit Silman — afiliada ao Likud — alterou recentemente regulamentos que restringiam a manutenção de espécimes protegidas apenas a zoológicos. A reclassificação do crocodilo do Nido, da categoria de animal protegido para a de 'animal selvagem criado', abriu, na letra da norma, as portas para sua presença em estabelecimentos prisionais.

O ministério teria já alocado 21 milhões de shekel (aproximadamente 6 milhões de euros) para construção de instalações apropriadas, conforme reivindicado pelo próprio Ben-Gvir. Defendendo a medida como além de uma mera iniciativa de propaganda, ele sustentou que se tratava de uma peça da estratégia de dissuasão.

Contudo, a organização ambiental e de defesa animal Let the Animals Live impetrou recurso contestando o plano. O juiz Avraham Rubin do tribunal distrital de Jerusalém emitiu uma injunção provisória que suspende obras e impede medidas que possam causar 'sofrimentos graves aos animais' ou gerar 'trabalhos de construo irreversíveis' e desperdício de recursos públicos.

Na resposta pública, Ben-Gvir acusou o sistema judicial de alinhar-se com os interesses dos detentos que ele classifica como terroristas e declarou que a reforma do Judiciário será prioridade após as eleições — um agravante que intensifica a tectônica de poder entre instituições. Enquanto isso, ativistas destacam que crocodilos não são armas nem instrumentos punitivos e criticam a instrumentalização da fauna para fins de intimidação política.

Do ponto de vista estratégico, este episódio ilustra um movimento decisivo, mas arriscado, no tabuleiro político israelense: a tentativa de redesenhar fronteiras institucionais usando mudanças regulatórias pontuais, que em última instância impõem pressão sobre os alicerces frágeis da diplomacia interna e da separação de poderes. A suspensão judicial representa, por ora, uma vitória procedural do Judiciário e um freio na escalada simbólica e prática proposta pelo ministério.

Os desdobramentos legais e políticos seguirão como um teste para o equilíbrio entre medidas de segurança, respeito a normas ambientais e o papel moderador dos tribunais em tempos de polarização. Em termos de realpolitik, a controvérsia é um lembrete: iniciativas que visam demonstrar força simbólica tendem a conflitar com estruturas normativas e riscos de gasto público, produzindo repercussões no cenário interno e na credibilidade internacional do Estado.